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USP homenageia Fritz Müller, o 'brasileiro' cientista que colaborou com Darwin

O autor da teoria da evolução chamava o alemão radicado em Santa Catarina do "o príncipe dos observadores".


A Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo (SP), aprovou o título de Doutor Honoris Causa para o naturalista Fritz Müller. A honraria destaca o papel dele na ciência moderna.

Müller nasceu na Alemanha, mas viveu em Blumenau (SC). Ele foi um dos maiores defensores da teoria da evolução no século 19. A decisão da USP ocorreu por unanimidade no conselho.


Darwin e Müller
mantiveram
correspondência
 relevo durante
17 anos.
Darwin chamava
o amigo de
"o príncipe
 dos observadores"

A homenagem é importante porque o Brasil ainda registra forte negação científica. Muitos brasileiros rejeitam a ideia de que espécies mudam com o tempo por meio da seleção natural.

Débora de Mello Sant’Ana, coordenadora da Pesquisa de Percepção Pública da Ciência no Paraná, afirmou que quase metade dos moradores do Estado paranaense não aceita a evolução.

Sant’Ana explicou que crenças pessoais travam o saber científico. Segundo a coordenadora, o fator cultural impede que as pessoas entendam conceitos biológicos básicos no dia a dia.

O estudo de Débora Sant'Ana ouviu 2.684 pessoas. Os dados mostram que 48% dos entrevistados negam a origem das espécies. O levantamento ocorreu em 88 cidades do Paraná (PR).

Nesse cenário de resistência, a trajetória de Müller ganha relevo. Ele trocou cartas com Charles Darwin durante 17 anos. Darwin chamava o amigo de "o príncipe dos observadores".

Müller morava em Santa Catarina (SC) e estudava a natureza de pés descalços. Ele usava microscópios simples para analisar crustáceos e plantas da Mata Atlântica em solo brasileiro.

Em 1864, ele publicou o livro "Für Darwin". Na obra, o naturalista apresentou provas práticas da seleção natural. Darwin gostou tanto que pagou a tradução do livro para o inglês.

O cientista radicado no Brasil descobriu que animais diferentes possuem larvas parecidas. Isso prova que eles tiveram um ancestral comum no passado, como explica a evolução.

Müller também detalhou o mimetismo. É quando espécies diferentes evoluem para parecerem iguais e evitar predadores. O fenômeno leva o nome de mimetismo mülleriano em sua honra.

O portal Paulopes (www.paulopes.com.br) mostra que o conflito entre criacionismo e evolução é antigo. A ciência baseia-se em evidências, enquanto o dogma exige fé sem provas.

A USP concedeu apenas 125 títulos em 90 anos. O último foi para o jornalista Vladimir Herzog. Müller agora entra no grupo que ajudou o avanço da humanidade e do conhecimento.

Müller naturalizou-se brasileiro em 1856 e nunca voltou para a Europa. Ele morreu em 1897, em Blumenau (SC). Seus estudos em revistas como Nature seguem citados por cientistas.

A entrega do título in memoriam reconhece que o trabalho feito em Santa Catarina (SC) mudou a biologia mundial. A ciência de Müller sobrevive ao tempo e ao negacionismo atual.

Com informações de Jornal da USP e G1.



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