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Tribunal condena padre que desviou eletrônicos doados a instituto de saúde

Padre Egídio de Carvalho Neto, ex-presidente do Instituto São José, foi condenado por se apropriar de centenas de smartphones e tablets doados pela Receita Federal, desviando os recursos que deveriam beneficiar o Hospital Padre Zé


Mais um caso de desvio de conduta e corrupção envolvendo um membro do clero católico no Brasil. O padre Egídio de Carvalho Neto, figura até então proeminente na Arquidiocese da Paraíba, foi condenado por peculato qualificado.
 
A justiça determinou que ele desviou quase 700 aparelhos eletrônicos, entre smartphones e tablets, que haviam sido doados pela Receita Federal ao Instituto São José, entidade mantenedora do Hospital Padre Zé, em João Pessoa.

De acordo com Eduardo Campos Lima, correspondente do portal católico independente "Crux Now", o tribunal concluiu que Carvalho Neto, na época presidente do instituto, se apropriou indevidamente de 676 dispositivos. 


O plano original, conforme divulgado, era realizar um leilão desses itens e utilizar o valor arrecadado para a compra de pelo menos uma ambulância para o hospital, que atende populações carentes. No entanto, o veredito aponta que o padre vendeu os aparelhos e embolsou o dinheiro.

A condenação também se estendeu a Samuel Cunha Segundo, ex-chefe do departamento de tecnologia do Instituto São José.

O padre recebeu uma pena de 5 anos e 6 meses de reclusão em regime semiaberto. Já Segundo foi sentenciado a 4 anos e 4 meses no mesmo regime. Ambos foram ainda condenados a pagar indenizações por danos materiais e morais coletivos, totalizando quase US$ 200 mil.

O esquema, detalhado pela reportagem e baseado em informações também divulgadas pelo portal UOL, revela que Carvalho Neto e Segundo viajaram a Foz do Iguaçu (PR) em maio de 2023 para receber a doação.

O valor total dos itens foi estimado em R$ 807 mil. Ao chegarem ao instituto na Paraíba, caixas contendo os eletrônicos mais valiosos foram levadas para a reitoria sem passar por inspeção, supostamente por ordem direta do padre. 

As investigações, que contaram com o rastreamento dos números de identificação (IMEI) dos aparelhos fornecidos pela Receita Federal, identificaram um receptador que afirmou ter comprado os eletrônicos de Samuel Segundo. 

A polícia também apurou que as câmeras de segurança do instituto pararam de funcionar misteriosamente durante três dias, período em que Segundo era o responsável pela supervisão do sistema.

Este caso dos eletrônicos é apenas a ponta do iceberg das acusações que pesam contra Egídio de Carvalho Neto. 

Os promotores de justiça o acusam de liderar uma organização criminosa que desviou cerca de R$ 140 milhões destinados ao Instituto São José e às obras sociais da Arquidiocese da Paraíba.

Esses recursos, provenientes da prefeitura de João Pessoa e do governo do estado, deveriam financiar serviços como a distribuição de cestas básicas.

A acusação alega que o dinheiro desviado foi usado para adquirir bens de luxo, incluindo obras de arte e pelo menos 19 imóveis de alto padrão. Carvalho Neto renunciou à presidência do instituto em outubro de 2023, após a descoberta dos supostos desvios.

Ele foi afastado das atividades eclesiásticas e chegou a ser preso, sendo libertado em 2024 para tratamento de saúde. Seu nome ainda figura no anuário da Arquidiocese da Paraíba como padre residente.

Com informação de Crux Now e UOL.





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