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Como a Opção Beneditina alimenta o fundamentalismo religioso brasileiro

A retração de grupos cristãos conservadores no Brasil sinaliza uma tentativa de blindagem contra a modernidade secular.


Nala Gnirut
colaborador

O conceito da Opção Beneditina proposto por Rod Dreher, escritor e editor conservador americano que vive na Hungria, ganha contornos específicos no cenário brasileiro. Grupos religiosos abandonam o diálogo público para focar em enclaves de poder.

 Tal “retirada” estratégica é inspirada em São Bento de Núrsia — que abandonou o caos de Roma para fundar mosteiros e preservar a fé durante a Idade das Trevas.


Dreher propõe que os cristãos modernos façam o mesmo. Não necessariamente vivendo em cavernas, mas construindo comunidades paralelas.

Para ele, os cristãos devem se retirar da cultura secular que não conseguiram vencer. A ideia é construir comunidades e instituições que funcionem como arcas de resistência moral.

Críticos e especialistas em laicidade, como o jornalista ateu Adam Lee, apontam que esses enclaves, geográficos ou não, fortalecem o fundamentalismo. No Brasil, a bancada evangélica se destaca porque que tenta impor muros teocráticos no Estado.

Assim, principalmente no caso brasileiro, o isolamento não é apenas físico, mas ideológico. Ao rejeitarem o diálogo com o mundo laico, esses grupos criam bolhas que atacam a ciência e a liberdade individual em nome de uma pureza religiosa anacrônica

Lee alerta que essa estratégia busca controlar o que as crianças veem e ouvem. É uma admissão de que o fundamentalismo não resiste ao contato com o livre mercado de ideias, ao mesmo tempo em que, no Brasil, a bancada evangélica atua para garantir privilégios das igrejas e barrar avanços laicos. Os parlamentares religioso utilizam a estrutura do Estado para proteger comunidades isoladas do pensamento crítico.

Exemplos nos Estados Unidos como o distrito de Lakewood em Nova Jersey (NJ) mostram o risco financeiro. Lá o desvio de recursos públicos para escolas religiosas faliu o sistema estatal.

O portal Paulopes identifica fenômeno semelhante em periferias de capitais brasileiras. O controle territorial por grupos fundamentalistas cria teocracias locais violentas e exclusivistas.

No Rio de Janeiro (RJ) o surgimento de complexos religiosos armados demonstra o radicalismo. Nesses locais a laicidade é substituída pela perseguição a religiões de matriz africana.

Comunidades terapêuticas financiadas pelo Estado também funcionam como enclaves. Elas substituem o tratamento médico pela pregação religiosa criando ambientes de conversão forçada.

O cerco à secularização avança através da censura de livros e ataques a currículos escolares. O pânico moral é usado como ferramenta para manter a coesão interna dos grupos devotos.

A resistência secular precisa ser ativa contra a criação dessas miniteocracias. O secularismo não é opressão mas a garantia de que nenhuma crença domine a vida de quem não a compartilha.

Com informação de Paulopes, BBC e OnlySky.

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