Relatório aponta que igrejas como a Universal têm acesso facilitado e até pavilhões dominados, enquanto católicos enfrentam barreiras burocráticas
A irmã Petra Pfaller, líder da Pastoral Carcerária, acusa presídios de criar obstáculos aos seus voluntários na prestação de apoio espiritual aos detentos. Enquanto isso, para os evangélicos, não há entraves de acesso.
Pfaller entregou ao ministro Ricardo Lewandowski um relatório sobre os obstáculos para entrar nos presídios.
O documento aponta que 64% dos agentes pastorais já foram impedidos de entrar nas prisões devido aos artigos religiosos que transportavam. Entre junho de 2022 e outubro de 2025, houve 18 casos de violação do direito à assistência religiosa aos reclusos.
Entre as alegações dos presídios para não receber agentes da pastoral estão obras em curso e falta de garantia para manter a segurança. Objetos litúrgicos e vinho de missa são barrados.
“Entrar nas prisões com objetos litúrgicos e vinho é outro desafio. Em algumas instituições, é quase impossível”, afirma o padre Almir Ramos, vice-presidente da Pastoral Carcerária. Ele acrescenta que atividades planejadas têm sido limitadas em todo o Brasil nos últimos anos.
Para as igrejas evangélicas, segundo a Pastoral Carcerária, os presídios são mais receptivos. Destaca-se entre elas a Igreja Universal do Reino de Deus.
“Existem pavilhões de celas específicos dominados por igrejas evangélicas, com reclusos que são pastores. Ouvimos falar de prisioneiros que tiveram de se converter e tornar-se evangélicos para sobreviver no sistema”, diz Ramos.
Imagem gerada por IA
“O sistema penal impõe várias restrições. Em muitos lugares, os agentes pastorais não conseguem aproximar-se dos reclusos. Só podemos falar com eles através de uma pequena escotilha ou de um nível superior para um inferior”, disse o padre.
A agente pastoral Rosilda Ribeiro afirma que, no estado de Mato Grosso do Sul, a situação mudou após a pandemia de Covid-19.
Antes, as visitas aos presos ocorriam a cada duas semanas. Agora, a permissão é válida apenas uma vez por mês e dura somente uma hora.
O tempo é escasso para atender a população carcerária. As penitenciárias masculinas abrigam centenas ou milhares de prisioneiros. Uma equipe pequena não consegue falar com todos em sessenta minutos.
Para tentar contornar o problema, a Pastoral Carcerária busca agendar missas semanais.
O padre Marcelo Moreira Santiago, líder da Pastoral em Minas Gerais, relata que muitas penitenciárias operam com menos guardas do que o necessário.
As visitas ocorrem em horários ruins. Em Mariana, por exemplo, a direção marca a entrada para sextas-feiras às 15h. A maioria dos voluntários trabalha nesse horário e não pode comparecer.
“Eles não querem que a Pastoral entre na prisão”, afirma Santiago.
Outra barreira é a burocracia. O Estado demora a emitir as credenciais para os agentes. Quando os documentos chegam, o prazo de validade já expirou.
Os agentes sabem o motivo real das dificuldades. A Pastoral Carcerária incomoda porque não faz apenas orações. O grupo fiscaliza as condições de vida, denuncia torturas e cobra direitos humanos.
O sistema pune a pastoral pelas denúncias de maus-tratos.
Rosilda Ribeiro concorda com essa visão. Ela diz que o sistema rejeita a perspectiva católica sobre a dignidade humana.
Em contrapartida, muitas prisões abrem as portas para igrejas como a Universal do Reino de Deus.
Segundo Santiago, algumas denominações focam na conversão de guardas e diretores. Essa estratégia garante privilégios para atuar dentro das cadeias.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, o sistema penal sofreu uma militarização parcial. Isso limitou a presença católica e favoreceu a expansão evangélica.
O padre Ramos espera que as políticas do governo atual mudem esse cenário.
O ministro Ricardo Lewandowski recebeu o relatório das mãos da irmã Petra Pfaller e do bispo Ricardo Hoepers em novembro. Ele prometeu analisar a situação e realizar um evento sobre o tema no próximo ano.
> Com informação do site Crux.
A irmã Petra Pfaller, líder da Pastoral Carcerária, acusa presídios de criar obstáculos aos seus voluntários na prestação de apoio espiritual aos detentos. Enquanto isso, para os evangélicos, não há entraves de acesso.
Pfaller entregou ao ministro Ricardo Lewandowski um relatório sobre os obstáculos para entrar nos presídios.
O documento aponta que 64% dos agentes pastorais já foram impedidos de entrar nas prisões devido aos artigos religiosos que transportavam. Entre junho de 2022 e outubro de 2025, houve 18 casos de violação do direito à assistência religiosa aos reclusos.
Entre as alegações dos presídios para não receber agentes da pastoral estão obras em curso e falta de garantia para manter a segurança. Objetos litúrgicos e vinho de missa são barrados.
“Entrar nas prisões com objetos litúrgicos e vinho é outro desafio. Em algumas instituições, é quase impossível”, afirma o padre Almir Ramos, vice-presidente da Pastoral Carcerária. Ele acrescenta que atividades planejadas têm sido limitadas em todo o Brasil nos últimos anos.
Para as igrejas evangélicas, segundo a Pastoral Carcerária, os presídios são mais receptivos. Destaca-se entre elas a Igreja Universal do Reino de Deus.
“Existem pavilhões de celas específicos dominados por igrejas evangélicas, com reclusos que são pastores. Ouvimos falar de prisioneiros que tiveram de se converter e tornar-se evangélicos para sobreviver no sistema”, diz Ramos.
Imagem gerada por IA
![]() |
O poder de influência de igrejas evangélicas nos presídios é crescente |
“O sistema penal impõe várias restrições. Em muitos lugares, os agentes pastorais não conseguem aproximar-se dos reclusos. Só podemos falar com eles através de uma pequena escotilha ou de um nível superior para um inferior”, disse o padre.
A agente pastoral Rosilda Ribeiro afirma que, no estado de Mato Grosso do Sul, a situação mudou após a pandemia de Covid-19.
Antes, as visitas aos presos ocorriam a cada duas semanas. Agora, a permissão é válida apenas uma vez por mês e dura somente uma hora.
O tempo é escasso para atender a população carcerária. As penitenciárias masculinas abrigam centenas ou milhares de prisioneiros. Uma equipe pequena não consegue falar com todos em sessenta minutos.
Para tentar contornar o problema, a Pastoral Carcerária busca agendar missas semanais.
O padre Marcelo Moreira Santiago, líder da Pastoral em Minas Gerais, relata que muitas penitenciárias operam com menos guardas do que o necessário.
As visitas ocorrem em horários ruins. Em Mariana, por exemplo, a direção marca a entrada para sextas-feiras às 15h. A maioria dos voluntários trabalha nesse horário e não pode comparecer.
“Eles não querem que a Pastoral entre na prisão”, afirma Santiago.
Outra barreira é a burocracia. O Estado demora a emitir as credenciais para os agentes. Quando os documentos chegam, o prazo de validade já expirou.
Os agentes sabem o motivo real das dificuldades. A Pastoral Carcerária incomoda porque não faz apenas orações. O grupo fiscaliza as condições de vida, denuncia torturas e cobra direitos humanos.
O sistema pune a pastoral pelas denúncias de maus-tratos.
Rosilda Ribeiro concorda com essa visão. Ela diz que o sistema rejeita a perspectiva católica sobre a dignidade humana.
Em contrapartida, muitas prisões abrem as portas para igrejas como a Universal do Reino de Deus.
Segundo Santiago, algumas denominações focam na conversão de guardas e diretores. Essa estratégia garante privilégios para atuar dentro das cadeias.
Durante o governo de Jair Bolsonaro, o sistema penal sofreu uma militarização parcial. Isso limitou a presença católica e favoreceu a expansão evangélica.
O padre Ramos espera que as políticas do governo atual mudem esse cenário.
O ministro Ricardo Lewandowski recebeu o relatório das mãos da irmã Petra Pfaller e do bispo Ricardo Hoepers em novembro. Ele prometeu analisar a situação e realizar um evento sobre o tema no próximo ano.
> Com informação do site Crux.

Comentários
Postar um comentário