Secularização dos EUA é a terceira onda de livres-pensadores, diz livro

Afastamento dogmatismo religioso terá profundas implicações na sociedade americana

Os primeiros livres-pensadores foram obviamente os desde sempre — trata-se de uma longa história de um bloco de pensamentos que nem sempre foi devidamente estudado.

Mais recentemente os "novos ateus" (Christopher Hitchens, Richard Dawkins e outros) acrescentaram ou fortaleceram uma perspectiva fortemente antirreligiosa ao livre-pensamento.

Agora, com o avanço da secularização nos Estados Unidos, está ocorrendo, para alguns observadores, a terceira onda de livres-pensadores.

O fenômeno é tão amplo que muitos americanos participam ativamente dessa onda sem saber, de acordo com autores de livros. A própria definição vigente de "secularização" está sendo questionada porque ela não dá conta do que ocorre.

Para Jacques Berlinerblau, autor de “Secularism: The Basics” e professor na Universidade de Georgetown, os americanos estão se tornando menos religiosos, mas o governo e os tribunais vão em sentido oposto, menos seculares.

Gradualmente as instâncias políticas e institucionais terão de se render ao fato, mas, até lá, alguns temas continuarão polarizados no discurso público, como já está, por exemplo, o aborto. Portanto, a chamada "guerra cultural" vai continuar e talvez se acentue com os novos livres-pensadores.

O Washington Post informa haver um boom de livros que tenta entender o crescente afastamento do pensamento religioso pela sociedade americana e suas implicações.

Título de artigo assinado por Michelle Boorstein, "O secularismo americano está crescendo — e ficando mais complicado" (livre tradução para o português), já mostra que o fenômeno ainda é difuso, não se sabendo, em consequência, o seu tamanho, forma, conteúdos e qual seria o seu Norte. 

O interesse pela nova safra de livres-pensadores, em detrimento do dogmatismo religioso e do conservadorismo nos costumes, tem sido impulsionado por pesquisas como a do Pew Research Center segundo a qual o percentual de americanos sem religião cresceu de 16% em 2007 para 29% em 2021.

Para Berlinerblau, o avanço da secularização terá (já está tendo) influência não só na sociedade americana, mas também em outras, com a Turquia e Israel, na resistência ao fundamentalismo religioso.

  
O professor poderia acrescentar que a influência global da secularização não depende só dos Estados Unidos, que, aliás, não estão na vanguarda porque o movimento se encontra instalado em países europeus há pelo menos uma década.

Berlinerblau observa que, em pese o aumento de pessoas não afiliadas a religiões, o desenvolvimento do secularismo está atrasado nos Estados Unidos.

“Não houve inovação no pensamento secular em 50 anos, são poucas as novas ideias políticas”, diz Berlinerblau em entrevista, sem citar a contribuição focada dos "novos ateus".

Não existe articulação para atingir objetivos, afirma o professor. “Não há coerência, liderança, movimento central".

Para os autores do livro Secular Surge, lançado em 2021, os valores seculares poderão ter grande força política nos próximos anos, nos Estados Unidos, reforçando as prioridades dos liberais, como a mudança climática, proteção ambiental e imigração, além de um monitoramento mais eficiente da distância entre Igreja e Estado.

“O secularismo está no centro das batalhas pela alma do Partido Democrata”, escrevem os cientistas políticos John C. Green, da Universidade de Akron, e David E. Campbell e Geoffrey C. Layman, ambos da Universidade de Notre-Dame.

Eles observam que uma fatia do Partido Republicano também está atenta para a importância da secularização, o que significará, no partido, atritos com os religiosos não brancos.

Os autores do Secular Surge argumentam que os valores central "seculares" — o livre-pensamento, lógica e razão  — não se opõem à identidade religiosas e suas práticas.

Emma Koonse Wenner, editora de religião da Publishers Weekly, tem opinião semelhante. Diz que muitas das pessoas que se afastaram das instituições religiosas tradicionais permanecem interessadas no gênero "espiritual, mas não religioso". 

"Espiritual", no caso, tem amplo sentido e necessariamente não inclui a perspectiva do sobrenatural. 

A expectativa do dinâmico e organizado movimento ateísta dos EUA, com a secularização, é que se fortaleça sua defesa do Estado laico, sem a necessidade de atacar frontalmente instituições religiosas, que, em muitos casos, caem de podre.

> Com informação do Washington Post, Pew e outras fontes.

Secularização que ocorre nos Estados Unidos é força progressista do bem





Comentários

  1. Ótima notícias. Mas que cresça os livres pensadores MESMO, com Ceticismo e Racionalismo. Afinal, apenas superar o apelo do sobrenatural (Deus, espíritos, parapsiquismo, religiões em geral) e extraordinário (geralmente ETs, certas pseudociências com as "energias") não exclui as insanidades de ideologias político-partidárias, Nacionalismo, Teorias de Conspiração, Veganismo, "ambientalismo" anticiência, pseudomedicinas, pseudociẽncias (sem o apelo citado anteriormente), preconceitos e outros. Muitas pessoas TEEEMMM essa "necessidade" de algum apego, de fé. Apenas transferem suas fés para outras, mas acreditam serem "racionais".

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