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Religião atua para perpetuar os detentores do poder e domesticar as mulheres, diz romancista

A religião é um dos piores cânceres já produzidos pela humanidade e ela atua para manter os atuais detentores do poder e como instrumento de domesticação das mulheres.

O diagnóstico é da escritora portuguesa Ana Bárbara Pedrosa, 31, que está lançando o romance "Palavra do Senhor", sem previsão de ter uma edição brasileira. 

O romance inverte o dogma: os homens não foram criados por Deus a sua semelhança, mas Deus é uma criatura dos homens.

Trata-se, portanto, de um romance sobre a condição humana porque, através de um deus humanizado, algumas questões se impõem, como o assassinato, a inveja, o medo e, sobretudo, a religião — a fixação de uma identidade divina para legitimar ações.

Assim, o deus que emerge do livro é vingativo e cruel, "moldado pelos seres que supostamente o criou".

Em entrevista, a romancista, ateia, afirmou que "Palavra do Senhor" não procura dar um sentido às escrituras, seja ele o que for, porque isso é impossível. A Bíblia não tem nenhum nexo.

"As histórias da Bíblia são sobejamente conhecidas, os crentes encaram contradições e atropelam-se, os fanáticos tentam impor a sua interpretação de um livro antigo, já de si contraditório, e interessou-me sair desse debate religioso, que parte do pressuposto de que o cânone deve ser lei social e moral, para ir além, criando esta personagem [deus] que é o narrador do romance", disse Pedrosa ao Jornal de Notícias, de Portugal.

O JN perguntou à escritora: "Um deus humanizado, mesmo que pratique ações desumanas, é sempre melhor do que um Deus que não dá sinal de si?"

Resposta: "Nenhum deus pode dar sinal de si, porque nenhum deus existe. Assim, não é possível fazer essa hierarquia. Talvez o problema seja mesmo a prática de ações desumanas em nome de uma ideia".

Pedrosa disse que, se a religião tem algo de positivo, é o breve consolo espiritual do ponto de vista individual. "Ela permite, por exemplo, a facilidade de se julgar que a morte é uma etapa."

"De resto, a religião é dos maiores câncer que as sociedades humanas produziram. Parte sempre da fraqueza de não se poder entender o desconhecido e de não aceitar essa ignorância como uma falha que pode ser sanada. Assim, põe-se o ônus do entendimento numa só entidade (ou em várias, nos casos das religiões politeístas), chutando-se para aí todas as explicações. E, em última instância, não procurando resposta para nada, num exercício de anticiência.

O romance aborda a crença da virgindade da mãe de Jesus.

"Maria foi uma mulher, as mulheres são seres sexuais. Não há arrojo nenhum nesta constatação", disse a romancista.

"Insistir na virgindade de Maria — uma ficção que nasceu de um erro de tradução — é insultar todas as mulheres do mundo, negando-lhes o direito ao corpo, ao usufruto da sua sexualidade e à própria individualidade."

"Se se insiste na virgindade de Maria como uma virtude, então todas as mulheres que não são virgens são impuras. É, mais uma vez, uma ideia machista que só serve para manipular e condenar mulheres."

"Maria não foi um útero, mas uma pessoa com um."

Romancista Pedrosa
criou um deus
terrivelmente humano

Com informação do Jornal de Notícias e foto de divulgação.




Comentários

  1. Tirem os rosários dos nossos ovários, o aborto só não é legalizado no Brasil por causa dessa mitologia idiota da Maria Apodrecida.

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  2. Quem acredita que uma mulher pariu e continua virgem acredita em tudo.

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  3. Se é fato que em alguns casos, a religião é instrumentalizada para apoiar o governante da ocasião, em outros casos, o que vemos é exatamente o contrário. Pensemos, por exemplo, na perseguição aos Cristãos na União Soviética ocorreu ao longo da história da União Soviética (1922-1991). As autoridades soviéticas suprimiram e perseguiram, em diferentes graus, várias formas de cristianismo, dependendo do período particular. A política marxista-leninista soviética defendia consistentemente o controle, supressão e a eliminação de crenças religiosas, e encorajou ativamente o ateísmo durante a existência da União Soviética. Outro exemplo são vários religiosos que atuaram fortemente no período militar no Brasil, como Jaime Wright, Henry Sobel, e tantos outros. Com relação às mulheres, também penso que a conclusão da escritura é algo divorciado da realidade em muitos casos. Se é fato que há repressão a mulheres, em alguns países que adotam o Islamismo, no âmbito do Cristianismo a maior parte dos frequentadoras das igrejas são mulheres. Seriam elas masoquistas, tomando como base o pensamento da escritora? E o que dizer, por exemplo, da Igreja Católica, que tem em uma mulher, Maria, um símbolo-maior de santidade e veneração? Por fim, é de se lembrar a misoginia e sexismo que vemos em alguns países com grande número de descrentes na Ásia. Como explicaria a escritora isso?

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    Respostas
    1. O que a escritora explicaria? Não sei. Principalmente porque você refuta o que ela NÃO disse, a misoginia do islamismo, etc. Assim não dá, né!

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    2. paulo lopes, você que é um homem inteligente e esclarecido, eu vejo senhoras de idade frequentando igrejas neo pentecostais dando o dizimo de um salario minimo, para lideres milionários e donos de empresas................a religião na sua opinião é fruto da ignorância, ou podem haver religiosos inteligentes ? a razão fomentadora da religião é ignorância ou podem haver pessoas esclarecidas la dentro ? ha teses que chegam a cogitar que religião excessiva é doença mental

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