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Sem religião e ateus mantêm crescimento em países de maioria muçulmana

Francesca Paci / La Stampa  No início foi Nadia el Fani, a diretora de cinema tunisiana que, após a chamada revolução dos jasmins, filmou os paradoxos de sua sociedade para contar o desejo reprimido de se libertar de "uma religião imposta" e os reuniu no documentário Laïcité, Inch'Allah!, [Laicidade, se Deus quiser, em tradução livre] (o título original era Ni Allah, ni maître, "Nem Alá, nem mestre", mas foi mudado após ameaças de morte dos islamistas). [Filme abaixo. Dá para configurar a legenda para o português.]

Era o ano de 2011, o Norte da África e o Oriente Médio sonhavam com a emancipação democrática. Depois, à força de questionar o poder político, os mais ousados passaram a desafiar primeiro sua legitimidade religiosa e, finalmente, tão sacrílegos quanto Édipo, o Grande Relojoeiro toutcourt.

"Se Deus existisse e permitisse o aparecimento de tumores malignos dos quais eu, à minha maneira, tento salvar crianças, seria sádico: não, Deus não existe" dizia um oncologista e pediatra cairota em 2012, enquanto olhava com preocupação a era da Irmandade Muçulmana que assumia depois da deposição de 30 anos de poder do presidente Mubarak. 

Foi o medo de uma deriva islâmica que levou muitos egípcios para o abraço mortal com o exército. Hoje, ciente do avanço de um ceticismo nietzschiano, o governo de al Sisi está imaginando uma lei que torne ilegal declarar que não se acredita em Deus (enquanto isso, aumentam as prisões por apostasia).

O Egito não é um país para ateus e o mundo árabe-muçulmano também não, já que por blasfêmia e apostasia alguém pode ser executado no Kuwait, Qatar, Arábia Saudita, Emirados, Iêmen (e nos países não árabes Irã, Afeganistão, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Nigéria, Paquistão, Somália, Sudão).

Ainda assim já em 2012 uma pesquisa WIN / Gallup alarmou bastante Riad, revelando que 19% dos sauditas se definiam como não religiosos e 5% explicitamente ateus. 

Em 2019, a confirmação de uma tendência em crescimento, ainda que abaixo dos radares: de acordo com um estudo do Barômetro Árabe da BBC, o número de pessoas "não religiosas" na região aumentou de 8% em 2013 para 13% em junho de 2019 com um aumento significativo entre os menores de 18 anos e especialmente na Tunísia, Líbia, Argélia, Marrocos e Egito.

“A diferença entre os ateus árabes e ocidentais está na argumentação científica sobre a evolução e as origens do universo, na qual os árabes prestam menos atenção a esse aspecto, principalmente no início, e se concentram mais em contestar a existência de Deus como é descrita pela religião", explica o jornalista britânico Brian Whitaker em Arabs Without God (Àrabes sem Deus, em tradução livre).

Esse livro abriu a caixa de Pandora em 2014, levando à manifestação muitos teo-céticos que haviam permanecido até aquele momento apenas espiando por trás do anonimato da Rede. 

Deus ainda não está morto na umma (no Alcorão, a comunidade dos crentes) e Marx ainda não foi devidamente lido, mas com certeza os clérigos ultraconservadores estão começando a se sentirem desconfortáveis.



Com tradução de Luisa Rabolini para IHU On-line. O título original do texto é Os céticos também estão crescendo entre os muçulmanos, especialmente abaixo dos 18 anos.


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Comentários

Emerson Santos disse…
Ela tem tomar cuidado ... gente alienada obediente e submissa e sem cérebro ... tem aos montes em qualquer religião ... e são esses os melhores assassinos ... não tem moralidade nem respeito .. matam famílias .. crianças ... em nome da loucura que acreditam

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