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EUA caminham para secularização, e ateus e agnósticos já são 9% da população

José Eustáquio Diniz Alves / Eco  Existe uma forte correlação negativa entre maior religiosidade e renda per capita nacional.

Em todos os países que possuem renda per capita superior a US$ 30 mil (em poder de paridade de compra — ppp) há menos de 50% da população rezando diariamente. E, em todos os países onde mais de 50% da população reza diariamente, a renda per capita é menor que US$ 30 mil, com exceção dos Estados Unidos da América (EUA).

Parece que fé demais é um empecilho ao desenvolvimento econômico, ao bem-estar e à qualidade de vida.

Entre as ricas democracias ocidentais, os EUA ainda são o país mais religioso e o mais devoto. Porém, este quadro está mudando rapidamente no século XXI. 



Nas pesquisas telefônicas do Pew Research Center, realizadas em 2018 e 2019, 63% dos adultos americanos se descrevem como cristãos quando perguntados sobre sua religião, uma queda de 12 pontos percentuais em relação a 2007 (quando havia 75% de cristãos). Os protestantes caíram de 51% para 43% e os católicos caíram de 24% para 20%, no mesmo período.

Enquanto isso, a parcela religiosamente não afiliada da população, composta por pessoas que descrevem sua identidade religiosa como ateu, agnóstico ou “nada em particular”, passou de 16% em 2007 para 26% em 2018/2019. Ou seja, o percentual de pessoas que se declaram sem religião subiu quase 1% ao ano e já compõe uma percentagem de ¼ da população norte-americana. Ateus e agnósticos já representam 9% da população total.

A nova pesquisa PEW confirma que a participação religiosa está diminuindo nos EUA. Os dados mostram que, assim como as taxas de afiliação religiosa, as taxas de frequência aos cultos/missas estão diminuindo.

Em pouco mais de uma década, a parcela de americanos que afirmam frequentar serviços religiosos pelo menos uma ou duas vezes por mês caiu 7 pontos percentuais, enquanto a participação de quem diz que frequenta serviços religiosos com menos frequência (se é que existe) aumentou no mesmo grau. 

Em 2009, os frequentadores regulares de cultos (aqueles que frequentam os cultos religiosos pelo menos uma ou duas vezes por mês) superaram os que frequentavam os cultos apenas ocasionalmente ou nem todos, com margem de 52% a 47%. 

Hoje esses números são invertidos; agora mais americanos dizem que frequentam serviços religiosos algumas vezes por ano ou menos (54%) do que dizem que frequentam pelo menos mensalmente (45%).

Além disso, os dados das pesquisas PEW mostram grande divisão nos níveis de afiliação e participação religiosa entre os americanos mais velhos (Baby Boomers e membros da Geração Silenciosa) e a geração do milênio. 



Mais de oito em cada dez membros da Geração Silenciosa (nascidos entre 1928 e 1945) se descrevem como cristãos (84%), assim como três quartos dos Baby Boomers (76%). 

Em contraste, apenas metade da geração do milênio (49%) se descreve como cristã; quatro em cada dez são não religiosos e um em cada dez milenistas se identifica com crenças não-cristãs.

Sem embargo, os Estados Unidos continuam sendo o maior país cristão do mundo e devem manter este posto ao longo das próximas décadas. Mas tende a ser um país cada vez mais secularizado, desencantado (na expressão de Max Weber) e com alto grau de pluralidade religiosa.

De certa forma, os EUA estão se aproximando das outras democracias ocidentais ricas onde a religião tem um peso menor nos destinos econômicos e políticos das nações.

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