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Bispo se irrita ao saber que católicos não creem que pão e vinho sejam Jesus

Pela doutrina católica, o pão
 e o vinho são o corpo de Cristo,
 e não uma simbologia. Assim,
 em tese, quem acredita nessa
doutrina é antropófogo


por Mark Pattison
para Catholic News Service,

Um novo estudo sobre o nível da crença católica na presença real de Jesus na Eucaristia mostrou que a maioria dos católicos não acredita que o pão e o vinho usados na missa se tornam o corpo e o sangue de Cristo.

O relatório recebeu uma forte repreensão de Robert Barron, bispo auxiliar de Los Angeles, que postou no Twitter no dia 6 de agosto: “É difícil descrever como me sinto irritado depois de ler o que o estudo mais recente do @pewresearch revela sobre a compreensão da Eucaristia entre os católicos. Isso deveria ser um chamado a despertar para todos nós na Igreja”.

Em um vídeo que acompanhou o tuíte, a raiva de Dom Barron não se dirige ao Pew, mas para dentro. “Estou culpando a mim mesmo, aos bispos, aos padres e a qualquer um” que seja responsável por transmitir a fé, disse ele. “Somos todos culpados.”

E acrescentou: “Tem sido um maciço fracasso da Igreja carregar a sua própria tradição”.

O estudo do Pew, divulgado no dia 5 de agosto de 2019, mostrou que 69% de todas as pessoas que se identificam como católicas disseram acreditar que o pão e o vinho usados na missa não são Jesus, mas sim “símbolos do corpo e do sangue de Jesus Cristo”. Os outros 31% acreditam na presença real de Jesus na Eucaristia, conhecida como transubstanciação.

“A maioria dos católicos que acredita que o pão e o vinho são simbólicos não sabem que a Igreja afirma que a transubstanciação ocorre”, disse Gregory Smith, diretor-associado de pesquisa do Pew Research Center, em Washington. 

“No geral, 43% dos católicos acreditam que o pão e o vinho são simbólicos e também que isso reflete a posição da Igreja.”

“Mesmo assim, um em cada cinco católicos — 22% — rejeita a ideia da transubstanciação, mesmo sabendo sobre o ensinamento da Igreja”, disse Smith.

O número de pessoas que acreditam na transubstanciação é maior entre os católicos que vão à missa pelo menos uma vez por semana, mas dificilmente são esmagadores. Cerca de cinco em cada oito católicos que frequentam a igreja acreditam no ensinamento da Igreja sobre transubstanciação.

Entre os 37% que não acreditam que o pão e o vinho da Comunhão realmente se tornam o corpo e o sangue de Cristo, estão divididos 23% que não sabem qual é o ensinamento da Igreja e 14% que conhecem o ensinamento da Igreja, mas não acreditam nele, disse Smith.

De acordo com os números do Pew, a maioria dos entrevistados em todas as faixas etárias acredita que o pão e o vinho usados na missa são simbólicos, e a maioria cresce à medida que a faixa etária se torna mais jovem. Os católicos com Ensino Médio ou menos têm menos probabilidade de acreditar na transubstanciação; os católicos hispânicos acreditam menos nela do que os brancos; e as mulheres acreditam menos na transubstanciação do que os homens.

Barron parecia admirado com as descobertas. “Qualquer católico que se preze sabe que esse é um ensinamento central”, disse ele no vídeo. “É um princípio básico do catolicismo.”

Ele disse que alguns são obrigados a reagir: “Ah, bem, quem se importa? Contanto que estejam comprometidos com os pobres ou comprometidos com a justiça social. Isso não é importante?”. Mas Dom Barron chamou isso de “uma redução da religião à moral, que é repugnante ao catolicismo”.

Ele citou uma lista de santos e pessoas veneráveis — entre eles Dorothy Day, Santa Katharine Drexel, Jacques Maritain e São Vicente de Paulo – que, disse, tinham “um profundo entendimento e amor pela Eucaristia”, e disse que, se alguém lhes perguntasse se a Eucaristia é um bom símbolo de Jesus?, “haveria uma rebelião aberta”.

“Tirem os ensinamentos centrais da nossa Igreja no nível doutrinal e, acreditem em mim, tirarão o nosso compromisso com os pobres”, disse Dom Barron. “Tudo isso faz parte, como um todo.”




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Comentários

  1. “Ainda que o gosto sensível do que comungamos seja de pão, a hóstia consagrada não é pão, mas o Corpo de Cristo; ainda que se perceba o gosto de vinho, o que se bebe do cálice sagrado não é vinho, mas o sangue de Cristo. Mesmo hoje essas palavras podem parecer muito duras aos ouvidos dos mais céticos (cf. Jo 6, 60). Isso, todavia, não pode minimizar a grandeza do "mistério da fé":

    "Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6, 55).

    “Deus é um comediante atuando diante de uma platéia assustada demais para rir”

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