Príncipe brasileiro defende estado laico e diz que conversão de indígenas é crime

“O Estado moderno tem que ser laico e o respeito a todas as religiões deve ser seguido. A conversão de populações indígenas a qualquer religião é um crime. É um dever histórico da família real servir ao País e acompanhar as mudanças culturais e sociais. ”

 A opinião é de João Henrique de Orléans e Bragança, trineto da Princesa Isabel, membro do chamado “Ramo de Petrópolis” da Família Imperial Brasileira, conhecido popularmente como dom Joãozinho.
João Henrique de Orleans
e Bragança: Estado deve
ser laico e suprapartidário.

A entrevista foi publicada na coluna de Sonia Racy, no Estadão de hoje, 11 de junho de 2019. Dom Joãozinho se indignou ao tomar conhecimento pela Imprensa que um dos seus primos, dom Bertrand, do chamado “Ramo de Vassouras”, tem dado apoio à agenda ultraconservadora de Jair Bolsonaro.

Para dom Joãozinho, “valores de diálogo, respeito ao debate de ideias opostas, tolerância, liberdade opinião, liberdade religiosa e suprapartidarismo” sempre nortearam a Família Imperial Brasileira enquanto chefe de Estado. 

“Dom Pedro II era respeitado por liberais e conservadores porque nunca tomou partido, sempre lutou pelo cumprimento da constituição. Foi um dos períodos de grande estabilidade institucional no Brasil. É um dever histórico da família real servir ao País e acompanhar as mudanças culturais e sociais” – diz o príncipe.

“O Bertrand se filiou, décadas atrás – ao grupo Tradição, Família e Propriedade, uma vertente fundamentalista da religião católica que é condenada pela Igreja. Ele não representa a família e nem os valores que temos desde Dom Pedro I, Dom Pedro II e Princesa Isabel” – explica.

De acordo com dom João Henrique, o mais midiático representante do chamado “Ramo de Petrópolis”, “Bertrand não representa a família e nem os valores que temos desde Dom Pedro I”.

Ministérios medievais

João Henrique de Orleans e Bragança afirma torcer pelas reformas necessárias ao Brasil, em especial “reformas econômicas, diminuindo os gastos inúteis de um Estado inchado”. E diz não entender como o atual Governo gasta capital político com discussões de comportamento, liberação de armas e assento para bebês.

“Ministérios como o do Meio Ambiente, Educação, Relações Exteriores e Direitos Humanos me parecem, frequentemente, medievais” – pontua o príncipe.

Comentários

  1. Avisem a esse sujeito que ele pode ser participante da família real portuguesa mas nunca da brasileira porque esta nunca houve.

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  2. Me parece mais uma conversa mole típica das velhas oligarquias para fins escusos.

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  3. Crime é apenas aquilo que está descrito na lei como crime. Isto é o princípio básico da legalidade estrita do Direito Penal. Não há nenhuma lei dizendo que converter alguém a uma religião X ou Y é crime. E se falasse isso, tal norma seria manifestamente inconstitucional, considerando que o artigo 5o da Lei Maior é claro no sentido de prestigiar a liberdade religiosa. Em resumo, o "príncipe" falou algo sem nexo.

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  4. Sempre fico puto da vida quando ouço falar em príncipes e afins num pais onde não existe monarquia desde 1889. Têm que mandar esses caras procurarem mamadeira de piroca em Portugal e parar de tungar o Estado do Rio com a tal enfiteuse, que em termos práticos significa que algumas pessoas no Brasil ainda têm que pagar impostos sobre a propriedade aos ex-membros da "realeza e nobres portugueses". Acredita-se que a enfiteuse começou na Roma antiga e foi levada para o Brasil quando Portugal colonizou a região em 1500 e essa pouca vergonha permanece até hoje.

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EDITOR DESTE SITE

Paulo Lopes é jornalista profissional
diplomado. Trabalhou no jornal centenário
Diario Popular, Folha de S.Paulo,
revistas da Editora Abril e em
outras publicações.