Recado à deputada que quer censurar o beijo gay de Judas: você é ridícula

Procure alguma
 coisa útil para
 fazer, deputada

[opinião] Nobre deputada Clarissa Tércio (PSC) [foto], da Assembleia de Pernambuco, deixe de ser hipócrita: você diz que respeita a liberdade artística mas está processando o grupo de humor Porta dos Fundos por causa do beijo gay que Judas deu em Jesus [vídeo abaixo].

Ora. Clarissa, arrume alguma coisa útil para fazer.

Você sabia que a maioria da população de Pernambuco não tem saneamento básico?

Vá cuidar da água que os seus eleitores bebem. Vá cuidar do esgoto da população. A merda está contaminando os rios.

Gosto do Porta dos Fundos,  e  por que você, aí em Pernambuco, quer tolher o meu direito, aqui em São Paulo, de me entreter com um grupo de humor da internet?

Você recorreu à esdrúxula lei do cala-boca para tentar tirar do ar o vídeo do beijo gay com a alegação de que se trata de uma ofensa aos cristãos.

Clarissa: quem acha que o Porto dos Fundos ofende os religiosos basta não ver. É simples assim. Ninguém é o obrigado a ver o que não quer.

Você está se arvorando, Clarissa. Está se metendo em coisa que não lhe diz respeito. Como cristã, deveria ter um pouco de humildade. Não é isso que Cristo ensinou?

Sei que você é bolsonarista, acha que “Deus está acima de todos”, mas isso não revoga o Estado laico brasileiro.

Tenha um pouco de tolerância e entenda: Deus não está acima de mim porque eu, Paulo Lopes, sou ateu, não acredito em deuses nem na bruxaria que fez água virar vinho ou em doido que acha ser filho da única divindade de um universo de bilhões de galáxias.

Você, Clarissa, acredite no que quiser, em Jeová, Céu, Inferno, no zumbi Jesus. Mas respeite meu ceticismo, tenha essa decência. Eu também sou brasileiro, e este país é meu, nosso, não só seu.

Então, nobre deputada, entenda que o seu direto constitucional de ter crença não anula o meu direito constitucional de ser ateu, nem a liberdade de imprensa e a de expressão do Porta dos Fundos ou  seja de quem for.

Sou defensor da laicidade e posso, sim, tentar impor a todos um livro, a Constituição, que separa a Igreja do Estado.

Mas você, Clarissa, uma fanática religiosa, não pode impor a Bíblia a todos, a não em sua igreja e na sua casa.

O Estado brasileiro não é religioso nem ateu, é neutro, Clarissa. Ne-u-tro.

Você é homofóbica, não gosta de gay, a ponto, inclusive, de rejeitar a possibilidade de até mesmo Judas, o mais odiado pelos cristãos, ter sido homossexual, no vídeo de humor.

Por que a sexualidade alheia a incomoda tanto, Clarissa? Inclusive a de pessoas que nem sequer podem ter existido, como Judas?

Alguns psiquiatras acreditam que os homofóbicos são homossexuais enrustidos. Não sei se esse é o seu caso e não tenho interesse em saber, porque não tenho nada com isso.

Nobre deputada, olhe-se no espelho e se enxergue: você é ridícula. E vai perder o processo contra o Porta dos Fundos, a exemplo do que já ocorreu com outros da milícia virtual evangélica.

Gente retrógrada como você está empurrando o Brasil para a intolerância religiosa e deve ser combatida como se fosse uma doença degenerescente.


Com informação do UOL e de outras fontes, com foto de Roberto Soares / Alepe.





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Comentários

  1. Muito bem dito. Curioso como um grupo de humor, do youtube, é basicamente a única fonte de exemplos jurídicos onde o Estado laico se ratifica.

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EDITOR DESTE SITE



Paulo Lopes é jornalista profissional diplomado.
Trabalhou no jornal centenário abolicionista
Diário Popular, Folha de S.Paulo, revistas da
Editora Abril e em outras publicações.