Colégio militar afasta professor sob a acusação de ele ser comunista e ateu

Casado com uma católica
 e com filha batizada, o
 ateu Pereira Filho rebate
as crítica de que tem
preconceito religioso

Um colégio militar de Goiás afastou por 60 dias um professor de geografia por ele estar sendo acusado por pais de alunos desde 2018 de ser comunista e ateu.

Dirigido pelo capitão Eduardo Alves Pereira Filho, o estabelecimento é o Colégio Estadual Américo Antunes, em São Luís dos Montes Belos, cidade que tem 34 mil habitantes e fica a 120 km de Goiânia.

O professor é Wellington Divino Pereira (foto), que dá aula de geografia naquele colégio desde a época em que a administração era de civis, há um pouco mais de um ano.

O que precipitou a suspensão do professor foi a sua discordância da leitura pelo capitão da recomendação do MEC para os alunos fossem filmados cantando o Hino Nacional.

No dia 27 de fevereiro de 2019, quando o MEC já tinha recuado da orientação, o capitão leu, inclusive, o slogan da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro: “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”.

Na ocasião, após o militar se dirigir servidores, o professor Pereira Filho disse ao capitão que ele não deveria ler o slogan de Bolsonaro, porque a lei impede isso tipo de engajamento político.

O fato de o professor ter feito a crítica sentando, e não em pé, conforme exige o regime militar da escola, teria agravado a insubordinação.

No mesmo dia, a direção da escola enviou à Secretaria de Educação um “relatório de prática inadequada” sobre o professor Pereira, ressaltando que três pais de alunos reclamaram ele faz proselitismo do comunismo e ateísmo.




Um pai disse que o professor afirmou aos alunos que “Deus não existe” e que Jesus hoje em dia seria comunista.

Outro pai, que é pastor, acusou o professor de quer que os alunos se tornassem descrentes.

O jornal “O Popular” informou que houve pais que reclamaram diretamente à Coordenação Regional da Educação, acusando o professor de pregação comunista e antirreligiosa.

A Secretaria de Educação considera que houve uma “grave insubordinação”, de acordo com o jornal.

O professor Pereira nega as acusações de doutrinação política ou contra a religião.

Ele confirmou ao jornal que é ateu, mas não tem nenhum preconceito contra religiosos. Tanto que sua mulher e filha são católicas.

“Em todas as reuniões na escola, há, com começo, orações, e nem por isso reclamo.”

Pereira gostaria de voltar a dar aula no colégio militar, porque mora perto. Mas após a suspensão será designado para outra escola.

Com informação do “O Popular”, com foto de arquivo pessoal.





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EDITOR DESTE SITE



Paulo Lopes é jornalista profissional diplomado.
Trabalhou no jornal centenário abolicionista
Diário Popular, Folha de S.Paulo, revistas da
Editora Abril e em outras publicações.