Damares quer Bíblia nas escolas, mas não alusão a religiões de matriz africana

[opinião]

Vídeos da pastora Damares Alves (foto abaixo), antes de ela ser nomeada ministra dos Direitos Humanos e da Mulher do Governo Bolsonaro, mostram que a honestidade intelectual não é o seu forte porque sua pregação varia de acordo com a ocasião. O que indica que a "verdadeira" Damares é a evangélica inflexível.

Em um vídeo publicado em agosto de 2016, Damares, em uma entrevista, defende o Estado laico ao criticar os livros escolares que, segundo ela, ensinam religiões de afrodescendentes, em vez de se aterem à cultura africana, conforme determina uma lei.

Pastora quer as
 igrejas no lugar das
instituições democráticas

Ela disse que os livros estavam ensinando os nomes dos exus, como se fosse possível falar da influência da cultura africana no Brasil sem explicar o significado de suas divindades.

Mas em um vídeo anterior, de maio daquele mesmo ano, a suposta defensora do Estado laico disse que “as Bíblias vão ter que voltar para as escolas”, porque, no ensino atual, “o T não é mais de tatu, é do tridente do diabo”.

Para ela, não se pode falar nos nomes dos exus, mas tudo bem ensinar aos estudantes sobre Jeová, Cristo, Pedro, Paulo.

Neste vídeo, ela afirmou que “chegou o momento” de as igrejas evangélicas governarem o Brasil.

Damares tem sido analisada com certa complacência, inclusive por parte de setores da esquerda e do feminismo, porque ela sofreu abuso sexual quando tinha seis anos e adotou uma criança indígena, além de se preocupar com as “mulheres invisíveis”, as ribeirinhas, por exemplo.


Mas isso não a credencia a pregar a imposição da Bíblia nas escolas nem conspirar contra a laicidade do Estado brasileiro.

No vídeo de maio de 2016, Damares faz uma crítica generalizada às instituições brasileiras.

“As instituições piraram nesta nação. Mas há uma instituição que não pirou. E esta nação só pode contar com esta instituição agora: é a igreja de Jesus”, disse.

De fato, as instituições brasileiras têm tido altos e baixos, mas daí pregar a tomada do Estado pelas igrejas evangélicas é loucura da Damares, uma fanática religiosa.

A exemplo do que a juíza Gabriela Hardt disse a Lula, se a ministra Damares Alves não mudar o seu tom, “a gente vai ter problema”.

Com informações de vídeo da pastora Damares Alves e de "O Globo".



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