Cineasta finge ser guru indiano e produz documentário hilário

Gandhi no papel de homem santo
O cineasta americano Vikram Gandhi fez um documentário que serve de ponto de partida para reflexões sobre a religião e a necessidade que a maioria das pessoas tem de acreditar em algo extraordinário, que esteja além dos limites da condição humana.

Ghandhi se passou por sábio indiano que realizava o ritual da “luz azul” – inventado por ele. O projeto inicial do documentário era mostrar o negócio em que se transformou a yoga, banalizando-se por intermédio de gurus que surgem a todo instante.

Quando começaram as gravações, Ghandhi teve a ideia de fazer o papel de um homem santo e se tornou em uma espécie de Borat, o personagem criado pelo humorista britânico Sacha Baron Conhen que viajou pela Inglaterra e Estados Unidos como se fosse o segundo melhor jornalista do Cazaquistão.

Para se transformar no sábio indiano Kumaré, Gandhi se preparou durante três anos. Teve encontros na Índia com gurus, assimilou o sotaque de seu avô indiano, estudou yoga, deixou os cabelos e a barba crescerem e se mudou para uma região do Arizona, onde não tardou em ter seguidores.

O documentário Kumaré acaba de ser lançado nos Estados Unidos. De acordo com a crítica, a crença das pessoas no falso guru dá o tom da comédia. Um dos críticos observou que Kumaré é um filme fascinante porque às vezes é muito engraçado e outras, muito preocupante.

Diferentemente de Borat, que interagiu com racistas, antissemitas e homofóbicos, o guru Kumaré se relacionou com pessoas aflitas cuja esperança, muitas vezes, residia tão somente em sua própria credulidade.


Por isso, Gandhi (foto) durante as filmagens teve  conflitos morais, principalmente quando a sua “religião” começou a atrair um número crescente de seguidores. É o que explica ele ter poupado no documentário pessoas como um viciado de crack que tentava se recuperar e uma jovem que lutava para salvar o seu casamento. A comédia, assim, em determinados momentos se torna pungente e melancólica.

Durante suas pregações, Kumaré dizia aos seus seguidores que era portador de uma verdade que afetava todos ali e que um dia era seria revelada. Os seguidores, obviamente, acreditavam ser algo ligado ao transcendente.

Um dia Kumaré contou a tal verdade: ele era uma farsa, um ator interpretando um guru para uma filmagem.

Em março, o documentário ganhou o prêmio do público do SXSW Film Festival 2011 e tem estado na pauta de publicações como o jornal Time.

Gandhi admitiu que o documentário o abalou, mas conseguiu provar o que suspeitava: nenhum líder espiritual é mais santo do que qualquer pessoa comum.

Com informação de site do documentário, do Times e de sobre filmes.

Morre de doença religioso indiano famoso pelo seu poder de cura.
abril de 2011

Guru tinha tesouro secreto que formou com doações de caridade.
julho de 2011

Comentários

Eis algo difícil de comemorar. Ainda que a causa (provar que nada há de especial nos "homens santos") seja justa, o que este homem fez foi uma bruta sacanagem. Se há pessoas banalizando os ensinamentos da yoga, isso não é culpa dos que buscam tais ensinamentos (yoga realmente traz benefícios à saude enquanto exercício), mas dos calhordas que se aproveitam da credulidde alheia.

Existem várias dimensões de "errado" nesta história, a julgar pelo que foi enfatizado nesse artigo (talvez eu mude de ideia ao ver o filme e/ou ao ler mais sobre o assunto).

Em primeiro lugar, é fato sabido que as pessoas dificilmente conseguem detectar a diferença entre um líder religioso "legítimo" e um "ilegítimo", da mesma forma como os leigos não diferenciam um médico impostor de um médico verdadeiro. Quando alguém se traveste de médico e atende pacientes, isso não prova que os médicos estão "banalizados", ou que a medicina seja uma impostura.

Em segundo lugar, ao enganar pessoas que tinham problemas (entre os quais uma moça que buscava salvar o casamento e um homem envolvido com drogas) e no fim não lhes apresentar nenhuma solução a não ser uma espécie de grito de "rá, pegadinha do Mallandro", o cientista foi terrivelmente calhorda. Suponho que esta história está contada pela metade e as pessoas que tinham problemas reais foram encaminhadas a especialistas (terapeuta de casal e clínica de recuperação, nos dois casos citados). Se assim não foi, certamente foi cometido um ato muito grave, que pode até não ser crime, mas é muito errado eticamente.

Esse episódio me faz pensar que, talvez, estejamos indo longe de mais em nossa luta contra o obscurantismo religioso. Estamos nos tornando mistificadores, manipuladores, insensíveis, obcecados com nossos fins. Exatamente como os piores religiosos que criticamos.
Pedro Lobo disse…
Não dramatize, Gouvêa, e também considere a possibilidade de que os seguidores do falso guru tenham percebido que só eles mesmo conseguirão resolver seus problemas. Afinal, entenda, todo ato de desmistificão é enriquecedor do indivíduo, ainda que cause frustração e dor. Você nem parece ateu.
Não dramatize, Gouvêa, e também considere a possibilidade de que os seguidores do falso guru tenham percebido que só eles mesmo conseguirão resolver seus problemas.

Certa vez eu li um comentário sobre uma espécie de ave que ensina seus filhos a voar atirando-os do ninho. Os que não conseguem voar da primeira vez, não têm uma segunda chance, é claro.

Afinal, entenda, todo ato de desmistificão é enriquecedor do indivíduo, ainda que cause frustração e dor. Você nem parece ateu.

Não necessariamente. Atos de desmistificação podem ser destrutivos (levando o indivíduo a desespero e suicídio) ou contraproducentes (podem fazer com que ele se apegue à crença, a mesma ou outra).

Realmente eu não pareço mais com os ateus que estou encontrando. Pessoas que cada vez mais se fanatizam e são capazes de fazer coisas horríveis, como o que esse cara fez. Expor as carências de pessoas de boa fé como assunto para fazer um filme e ganhar dinheiro.
Mas o ponto de meu argumento está na falácia contida na concepção do filme, e reproduzida pelo artigo acima.

Volto a repetir: leigos não sabem a diferença. Entre um médico e um impostor, por exemplo. O fato de desmascararmos um impostor não invalida a medicina, pois essa seria a falácia de composição (tomar o todo pela parte).

Não se pode denunciar a yoga a partir do desmascaramento de alguns gurus. Mesmo porque, desqualificar o pregador em vez de debater a crença é ad hominem também. Ou se denuncia a yoga, ou apenas a banalizçaão dela. Não me parece que seja possível fazer qualquer das duas coisas fingindo ser guru.

No caso de eu ainda não ter conseguido me fazer entender, vou tentar ser mais didático (ainda que sem muita esperança).

Suponhamos que eu crie uma igreja e reúna muitos fieis. Depois de meses ou anos arrecadando dízimo e fazendo pregações, eu anuncio que eu estava apenas atuando e que tudo era uma espécie de Big Brother, que estava fazendo um filme para provar que os pastores não têm nada de especial.

Isso arranharia de alguma forma o cristianismo? Não. Seria fácil para os demais pastores (mesmo os calhordas) dizerem que eu havia sido um falso pastor desde o início, que enganara as pessoas e etc. Ao mesmo tempo seria fácil para eles se apresentarem como "verdadeiros" (e eles têm vários métodos para isso, que não estariam ao alcance de um pastor fingido).
Se o ponto é mostrar que as pessoas são facilmente enganadas por gurus (como são por pastores ou até por operadores de telemarketing), o filme pode conseguir mostrar isso. A questão é qual a utilidade de tal demonstração. Afinal, é algo sabido.

A chave está na informação. Quanto menos informação temos sobre um assunto, mais facilmente nos enganamos. As pessoas se deixam enganar por religiosos porque sabem muito pouco sobre religião (e geralmente aprendem a rezar antes de aprenderem os dogmas). Mas isso não é só com religião. Quando sabemos poco de mecânica, pagamos fortunas para consertar a rebimboca da parafuseta.

Mas o motivo de minha indignação não foi nem tanto a impostura do falso guru, mas o fato de ele ter mantido contato por meses com pessoas que PRECISAVAM DE AJUDA e continuou filmando.

Isso me lembra a história do fotógrafo norueguês que fotografou uma criança etíope morrendo de fome e voltou para casa para ganhar um prêmio e ficar famoso -- e mais tarde entrou em depressão ao dar-se conta de que ele teria podido salvar AQUELA CRIANÇA, tirando ou não a foto, mas não o fizera. O cineasta (não cientista, falha minha), assistiu à dor de pessoas que precisavam de ajuda, mas preferiu filmar (para depois ganhar o seu prêmio). Isso lhe parece ético?

Tão ético quanto filmar uma tortura durante horas e depois libertar a vítima.
Pedro Lobo disse…
O seu raciocínio não passa na prova dos nove, Gouvêa.

Por exemplo: a sua comparação do homem com uma ave é descabida, sem nexo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Mas, mesmo assim, me responda: por que, na associação, você se lembrou da exceção, da ave que dá uma única chance ao filhote para aprender a voar e não das outras?

Outro exemplo: você diz que alguns de atos desmistificação podem levar as pessoas à crença.

Ora, Gouvêa, pense comigo: se as pessoas se apegam à crença, então não houve ... desmistificação.

Mais um exemplo: você diz que a maioria não sabe diferenciar um falso guru de um verdadeiro. Pois agora aqueles seguidores do Kumaré vão saber, sem contar aqueles que serão alertados pelo documentário.

Só mais uma coisa, porque preciso dormir. Você criticou o fotógrafo que fez um flagrante de uma criança etíope morrendo de fome e depois caiu na depressão por não ter salvado-a.

Ora, pela sua lógica, fotógrafo algum poderá disparar sua máquina em certos países da África porque para qualquer lado que se olhe tem gente morrendo de fome.

Você não entendeu que o fotógrafo norueguês fez a parte dele -- denunciou ao mundo a miséria africana. O que não foi pouco, porque inclusive você agora só está falando dessa criança por causa daquela foto.

O cineasta também fez a parte dele, Gouvêa.

Boa noite.

PS.: eu também não sei diferenciar um falso guru de um verdadeiro, porque, pra mim, é tudo a mesma coisa, rs.
José Geraldo Gouveia. Estava lendo seus comentários um tanto extensos, mais cheguei a conclusão que não foi perda de tempo le-los pois percebí que voce não está longe da verdade. Devo explicar que é por estas e outras que nós cristãos que nos esforçamos para sermos fiés e autênticos temos uma só fé e uma bússola que aponta para uma única direção, á saber Jesus Cristo. Nós colocamos os ensinamentos de todas as religiões e mestres religiosos, sendo eles pastores ou não sobre o crivo da Bíblia. Desse modo não nos perdemos na teia mortífera das mentiras e enganações. Quanto a nós crentes protestantes o lider legítimo é aquele que tem como doutrina os ensinamentos fundamentais da Bíblia independente das suas "aparentes boas obras". foi por isso que Jesus Disse: "Quem comigo não ajunta, espalha".
Anônimo disse…
Pronto lá vem o lenga-lenga biblista do Fernando.O que tem a ver desmistificar ou desmitificar uma fé ou crença com análise baseada em crivo bíblico?
Nada. Tudo que eu tentei dizer foi que existe um erro de concepção quando aplaudimos o que esse cineasta fez. E que o erro não estava em desmascarar gurus, mas em explorar temporariamente a credulidade dos seguidores (que em pelo menos dois casos realmente precisavam de ajuda real).

O resto é espuma.
Gustavo Ribeiro disse…
Devo explicar que é por estas e outras que nós cristãos que nos esforçamos para sermos fiés e autênticos temos uma só fé e uma bússola que aponta para uma única direção, á saber Jesus Cristo.

---> Os ultimos milenios mostram justamente o contrario.

Nós colocamos os ensinamentos de todas as religiões e mestres religiosos, sendo eles pastores ou não sobre o crivo da Bíblia.

---> Lendo com atencao a Biblia, vemos que ela nao possui bons ensinamentos morais e eticos.

Desse modo não nos perdemos na teia mortífera das mentiras e enganações.

---> Ja se perderam em mentiras e enganacoes desde tempos imemoriais, que nem mesmo percebe isso.

Quanto a nós crentes protestantes o lider legítimo é aquele que tem como doutrina os ensinamentos fundamentais da Bíblia independente das suas "aparentes boas obras".

---> Muitos dos ensinamentos da Biblia mandam matar o proximo, ser intolerante, humilhar a mulher, manter escravos, massacrar outros povos, ter preconceitos e discriminar o proximo, etc.
O que voce não sabe é que o velho testamento deve ser lido e enterpretado a luz do novo. Voce deveria perder mais tempo em ler o novo testamento. E veria que os dois maiores ensinamentos é: "Amar a Deus sobre todas as coisa e ao teu próximo como a ti mesmo." Agora uma pergunta? Você e bom em tentar contradizer a Bíblia, mais voce pelo menos se esforça para guardar estes dois mandamentos? Não? Então cale a boca.
Anônimo disse…
Fernando,

Eu nao mandei vc calar a boca. Logo, vc falta com o respeito e educacao. Estou vendo como vc aprendeu bastante com a Biblia como tratar o seu proximo. É, vc é um grande seguidor do mandamento de "amar o proximo"...

Eu nao vou perder meu tempo lendo essa Biblia, ja que o considero uma pessima obra literaria, alem de apresentar uma moral e etica duvidosas e questionaveis.

E depois vc fala que é para interpretar o VT à luz do NT ? Isso se chama DESCULPA ESFARRAPADA. Uma tatica do "olhe o passarinho" para sair do assunto pela tangente.

Pelo menos vc se esforça para ser uma pessoa decente, etica, respeitadora e moral ?

Nao, ne ?

É so ver como vc trata os outros.
Anônimo disse…
A lenda de todos os homens santos se parece. Um homem, um parente de símio evoluído, é declarado filho de Deus, e todas as mentiras e absurdos são imaginadas e propagados ad nauseam para referendar o eterno sonho da cura universal e da ressurreição corporal, a ansiada imortalidade. Religiões um dia serão proibidas, como um simples exercício ilegal de medicina, que hoje chamamos e consideramos curandeirismo. O que é um líder religioso além de um apurado e refinado charlatão? Curas improváveis, consolo para o inconsolável, porque nenhuma pessoa razoável e dotada de autoconsciência precisa de religião; percebe a prédica comum a todas, a essência da solidariedade que independe de credo e referências metafísicas ou transcendentes, além da absoluta e dispensável prática que não modifica em nada o que não tem necessidade nenhuma de ser modificado...Um suposto débito contraído pela existência, que se fundamenta num falacioso pressuposto também inexistente, chamado culpa, karma ou pecado. Tudo para justificar as diferenças sociais, morais, econômicas, até a perfeição física e as imperfeiçoes estéticas, doenças, acidentes, morte...sob a alegativa de um mérito ou castigo divinos, supostamente efetivados na eternidade imortal. Homens inteligentes como Leibniz e Kant pretenderam justificar essa falácia, partindo da premissa que o homem é criatura de um Deus. Sabemos pela história que quem criou o homem foi a autocriação deste via modificação da natureza, construção da cultura, durante milhares de anos de muito sofrimento e trabalho. Tal como a evolução da saúde, que tornou desnecessária a presença dos sacerdotes e pajés para resolver a febre, a epilepsia; hoje solucionadas com uma simples aspirina ou fenobarbital...O futuro provará com uma simples injeção de haloperidol numa pessoa supostamente endemoninhada, que ela dorme, e "apaga"...Não há demônio algum que faça-a se levantar. Em hospitais psiquiátricos se expulsarão demônios e doenças mentais erradicando a causa, a neurose da culpa, alimentada pela ilusão metafísica e religiosa. Gurus e Messias serão peças de museu de cera, e as crianças acreditarão neles tanto quanto os pokemons e outras personagens de mangá.
EMPORIO DO VIDRO disse…
pelo que vejo, quando se é charlatão e 171 da fé alheia, tudo bem, mas quando se finge ser para abrir os olhos dos incautos, não pode.
mas por outro lado, as belas palavras do sr gouvea tem sentido.
fiquei parecendo aquele personagem bandeirinha do jo soares, o cachangá
Anônimo disse…
isso é a prova que pessoas religiosas são burras!
Anônimo disse…
Não interessa se você é religioso ou agnóstico. A falta de ética está presente na vida de pastores, gurus, cineastas e cientistas. Isto fica claro no artigo.
Não me venha com a justificativa de "que o fim justifica os meios". Inventar uma mentira 'inocente' para engodar pessoas incautas, prova apenas que existem pessoas sem índole que abusam da fé das pessoas. Assim como crer faz parte da natureza humana, assim também engodar faz parte da nossa natureza humana.
Existem incautos que acreditam em cada palavra proferida por cientistas e estudiosos. Mas, em um depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, Jerome Jacobstein, da Universidade Cornell, afirmou que 25% dos comunicados científicos poderiam estar baseados em dados intencionalmente subtraídos ou manipulados.
Vamos a mais uma conhecida fraude científica, o Homem de Piltdown, que foi alardeado como um ancestral, o elo entre macacos e humanos. Na verdade o alegado fóssil não passava de um crânio humano com uma mandíbula de macaco adaptada. A fraude destes cientistas perdurou por longos quarenta anos. Durante este período, milhões de pessoas foram enganadas pois 'acreditavam' friamente no elo perdido.

Ergo, a arte de engodar pessoas existe em contextos religiosos e em contextos não religiosos como ficou demonstrado acima. Mas isso não invalida o trabalho de cientistas bem intencionados, assim como não invalida o trabalho de religiosos bem intencionados.

Só haverá dialogo entre religiosos e não religiosos quando houver respeito entre ambas as partes e somente se os preconceitos forem deixados de lado.

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