Eleitores de Zurique mantêm o 'turismo do suicídio assistido'

da BBC Brasil

Os eleitores de Zurique, na Suíça, rejeitaram propostas para limitar a prática do suicídio assistido na cidade, segundo as projeções das contagens de votos do referendo sobre o tema realizado neste domingo.

As projeções indicam que apenas 14% dos eleitores votaram a favor da primeira proposta, que proibiria totalmente a prática do suicídio assistido.

A segunda proposta, que pretendia proibir estrangeiros de aproveitar as leis locais para praticar o que ficou conhecido como “turismo do suicídio”, obteve o apoio de apenas cerca de 20% dos eleitores.

O suicídio assistido, prática em que uma pessoa portadora de doença terminal ou deficiência grave recebe auxílio para pôr fim à vida, é legal na Suíça há décadas.

Nos últimos anos, Zurique vinha ganhando atenção pelo trabalho de organizações não governamentais que praticavam o suicídio assistido. Muitos dos “clientes” das organizações eram estrangeiros, principalmente da Alemanha e da Grã-Bretanha, países nos quais a prática é proibida.

O resultado do referendo sobre o sucídio assistido reflete a crença amplamente disseminada entre os suíços de que é o direito pessoal de cada indivíduo escolher quando e como vai morrer.

E a rejeição da proposta para limitar o suicídio assistido apenas aos moradores de Zurique mostra que as preocupações sobre o “turismo do suicídio” pesou menos com os eleitores do que suas convicções de que o direito de morrer como se quer é universal.

O debate sobre o turismo assistido na Suíça, porém, deve continuar.

As pesquisas indicam que os eleitores querem uma legislação nacional mais clara, estabelecendo os casos nos quais a prática é permitida – apenas para os doentes terminais ou também para aqueles com outras doenças crônicas ou até mesmo mentais.

Também há um grande desejo de que o governo estabeleça regras sobre as organizações que oferecem o suicídio assitido.

Entre as regras que podem ser estabelecidas estão a periodicidade com que elas precisam acompanhar seus pacientes e, num ponto crucial para os estrangeiros, por quanto tempo o processo de aconselhamento deve se desenvolver até que o suicídio assistido é aprovado.

O governo suíço deve propor uma nova lei sobre o tema nos próximos meses.

fevereiro de 2010

por João Pereira Coutinho em fevereiro de 2010


O CVV É UM SERVIÇO DE PREVENÇÃO AO SUICÍDIO.

Comentários

Caruê disse…
Como disse Raul Seixas em ´´ A lei ``: Todo homem tem direito de morrer quando quiser.
Anônimo disse…
Essa sim é uma nação que respeita os Direitos Humanos e as vontades justas das minorias que sofrem.
Anônimo disse…
Extremamente absurdo. Ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém tão menos a própria.
Anônimo disse…
Claudia, deixe que você seja torturada até implorar para morrer, aí então veremos se você mudará de ideia. Quero ver se você for vítima de cancêr ou de outra doença terminal se você não vai mudar seu discurso rapidinho. Acredita no que a igreja fala porque você não sabe o que significa, mas quando for com você não vai dar pra ignorar.
Anônimo disse…
Eu apoio totalmente o suicídio assistido. E só vejo duas razões para não se aceitar tal prática:

1- Influências religiosas na legislação

2- Medo de perder mão de obra abundante e barata (ou o pessoal realmemente pensa que o governo se importa com a vida de cada um? É só medo de perder braços para o trabalho, medo de perder o tal exército de reserva que mantém os salários baixos)