Do site do STF e do Consultor Jurídico
A violência sexual praticada com coito anal e vaginal é considerada crime duplo de atentado violento ao pudor e estupro, segundo o STF (Supremo Tribunal Federal).
A 1ª Turma da corte negou habeas corpus a um réu que pedia para ter a pena reduzida com base na tese da continuidade delitiva, que prevê penas menores quando um crime é cometido em função do outro. O réu havia cumprido sete anos de prisão.
O julgamento, feito nesta terça (10) colocou Paulo Medeiros Bueno novamente na cadeia. Ele havia sido condenado, em primeiro grau, a 12 anos de prisão por atacar uma mulher enquanto ela tirava leite de vacas em um curral. Bueno a despiu e a forçou a praticar coito anal, o que é considerado atentado violento ao pudor. Em seguida, usando de novo da força, submeteu-a a penetração vaginal, praticando estupro, de acordo com os autos.
O juízo de primeira instância classificou os crimes como distintos, aplicando a tese do concurso material — em que é aplicada a soma das penas de cada contravenção, conforme artigo 69 do Código Penal.
Mas o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a decisão, a pedido da Defensoria Pública paulista. Os desembargadores estaduais reduziram a pena para sete anos, entendendo que os crimes aconteceram em sequência e estavam ligados.
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo, no entanto, rejeitou o recurso apresentado pela Defensoria.
Os advogados públicos contestaram a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que reverteu o julgamento do TJ-SP. Eles alegaram que o STJ, ao julgar se houve continuidade delitiva ou concurso material, teria de fazer o reexame das provas, o que é proibido na análise de pedido de habeas corpus.
Lewandowski, porém, afirmou que o tribunal apenas deu o correto enquadramento legal aos fatos.
Para o ministro, relator do processo, o crime, praticado com extrema violência, teve dois objetivos distintos e, portanto, devem ser considerados separadamente. A turma seguiu seu entendimento por unanimidade e ordenou a prisão do condenado.
> Condenado por estupro, pastor Sardinha diz estar feliz na cadeia. (fevereiro de 2009)
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