Salvatore Cacciola teve de passar a sua primeira noite em prisão brasileira no presídio Ary Franco, no subúrbio do Rio.
Um dos seus advogados, como se pode ver no vídeo abaixo, reclamou: “Trata-se de um prédio antigo, superado para os padrões normais.”
Tadinho do Cacciola!
Mas ele ficará pouco tempo na cadeia, seja no Ary Franco ou em outro presídio, em cela especial, à qual tem direito pela legislação brasileira, porque fez curso univesitário.
Advogados criminalistas lembram que, se Cacciola não obtiver habeas corpus, ele poderá já em 2009 se beneficiar do regime semi-aberto de prisão, por ter tido cumprido um sexto de sua pena de 13 anos de prisão em Mônaco.
Só para lembrar: Cacciola deu golpe de R$ 1,5 bilhão no Banco Central, há oito anos, no governo de Fernando Henrique Cardoso.
Por muito menos do isso, muito mesmo, milhares de pessoas apodrecem na cadeia. Mas Cacciola é Cacciola, não é um qualquer, não é, por exemplo, um detestável ladrão de galinha.
Ele chegou ao Brasil dizendo-se injustiçado.
Não pronunciou a palavra “injustiçado”, claro, mas ela ficou subentendida quando disse que as pessoas que foram condenadas com ele “estão trabalhando, livres, ganhando seu dinheiro”.
É verdade.
Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, e Tereza Grossi, ex-diretora, foram condenados pelo golpe de R$ 1,5 bilhão e estão cumprindo sua pena em liberdade, “ganhando dinheiro”, como lembrou Cacciola. Ou, acrescento, gastando o dinheiro que obtiveram com mãos de gato.
Talvez o maior erro do Cacciola, do ponto de vista dele, não tenha sido o golpe nos cofres do Banco Central, mas ter fugido do Brasil.
Se ficasse por aqui, não teria de ficar preso em um prédio decadente, ainda que por pouco tempo, e, mesmo condenado, poderia estar trabalhando normalmente, de certo em algum empreendimento em sociedade com Francisco Lopes e Tereza Grossi.
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