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Ministro Mendes solta de novo Dantas e indigna juízes

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Preso pela segunda vez, Daniel Dantas foi solto de novo pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes (foto), que concedeu ao banqueiro habeas corpus. Dantas ficou poucas horas na carceragem da Polícia Federal: ele foi solto às 20h25min desta sexta-feira.

Desta vez, ele tinha sido preso preventivamente por determinação do juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal de São Paulo, sob a acusação de tentar corromper um delegado da Polícia Federal.

Juízes e procuradores têm feito duras críticas ao ministro Mendes.

Mesmo antes da concessão do segundo habeas corpus, 130 juízes federais da 3ª Região divulgaram nota criticando o presidente do STF por determinar que o Conselho da Justiça Federal e a Corregedoria Nacional da Justiça investigassem uma suposta desobediência do juiz De Sanctis.

Na quarta, Mendes mandou saltar Dantas, que tinha  sido preso provisoriamente sob acusação de crimes financeiros. E na quinta De Sanctis mandou prendê-lo de novo, desta vez em caráter preventivo e com base em provas de que o banqueiro tentou corromper um delegado da Polícia Federal.

De Sanctis é considerado um juiz durão, de sentenças duras, mas ele nega a acusação feita por Mendes de que tenha acionado a Polícia Federal para espioná-lo. Foi feita uma varredura no gabinete de Mendes e nada foi encontrado.

Ninguém ousa dizer publicamente, mas o que se comenta é que Mendes teria sido ‘comprado’ pelo banqueiro.

Durante a negociação na tentativa de subornar um delegado para que Dantas e sua irmã Verônica fossem excluídos da Operação Satiagraha, um dos emissários do banqueiro teria dito que a preocupação era com os juízes de primeira instância, porque no STF se dava um jeito.

Também antes de o ministro Mendes conceder o segundo habeas corpus ao banqueiro, 42 procuradores da Justiça divulgaram carta aberta em que lamentavam a libertação de Dantas.

“As instituições democráticas brasileiras foram frontalmente atingidas pela decisão liminar que, em tempo recorde, sob o pífio argumento de falta de fundamentação, desconsiderou todo um trabalho criteriosamente tratado nas 175 páginas do decreto de prisão provisória proferido por juiz federal", assinalaram os procuradores na carta.

Nem bem a carta tinha chegado à imprensa, Mendes liberou mais uma vez o banqueiro.

Juízes e procuradores estão em pé de guerra e os próximos dias prometem de intensos em manifestações verbais, e não serão de elogios ao ministro Mendes, com uma ou outra exceção. E como se o Mendes fosse desprovido de sua condição de juiz, de julgador, e colocado perante a opinião público no banco dos réus.

> Mais sobre Gilmar Mendes.

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