Diferentemente do que o governo federal afirma, a publicação dos seus gastos na internet não é sinônimo de transparência. O jornal "O Globo" informa que apenas 11% dos pequenos gastos são conhecidos. Segue trecho de reportagem de Alan Gripp e Henrique Gomes Batista:
Oitenta e nove por cento de todas as despesas corriqueiras do governo em 2007 não tiveram qualquer publicidade e sofreram uma fiscalização frágil, como reconhece o próprio governo. Ou seja, apenas 11% desses gastos são conhecidos. A caixa preta dos pequenos gastos incluiu ano passado R$ 158,2 milhões. O número corresponde à soma dos gastos das chamadas contas tipo B do governo, que nunca foram divulgados, e das despesas dos cartões corporativos, em que não há possibilidade de rastreamento.
Considerando apenas os cartões corporativos, há informações sobre 24,7% dos R$ 78 milhões gastos ano passado. Nessa pequena parcela, publicada no Portal da Transparência, foram identificados os casos de uso irregular por ministros e ordenadores de despesas - como compras de artigos de luxo, flores, jóias, reforma de mesa de sinuca e até tapioca -, o que deflagrou a atual crise. O restante (R$ 58,7 milhões) se divide entre saques na boca do caixa e gastos protegidos por sigilo, feitos pela Presidência da República, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Polícia Federal.
Já sobre os gastos das contas tipo B quase nada se sabe. Os servidores que têm poder para movimentar esses recursos são obrigados a prestar conta em seu próprio órgão, mas essas informações não são repassadas ao Portal da Transparência. A Controladoria-Geral da União (CGU) também faz auditorias periódicas, mas apenas por amostragem. A fiscalização é falha, admite o controlador-geral Jorge Hage.
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