
O prefeito Cesar Maia (no traço ao lado), do Rio, é dúbio em relação às milícias que estão ocupando as favelas daquela cidade e pressionando os moradores a pagar por proteção contra os bandos do narcotráfico. Em seu boletim de hoje, distribuído por e-mail, o pefelista diz que não se pode estar a favor de nenhum esquema fora da lei. Claro, ele diz o óbvio, mas acrescenta:
Mas cuidado para que o patrulhamento da mídia pressionando a Polícia e Governos sobre as tais milícias não termine fazendo a festa do tráfico de drogas.
As milícias só existem porque o Estado tem fracassado em combater o crime e proteger a população, principalmente a mais pobre.
Curiosamente, as milícias são constituídas, em parte, por funcionários do aparelho de segurança do Estado –são PMs, policiais civis, bombeiros. Como são mal pagos pelo Estado, esses funcionários se engajam nas milícias para ganhar um dinheiro por fora. E o novo "emprego", de bico acaba se transformando em fonte principal de renda de cada um. E bico se torna a prestação de serviço ao Estado, ao custo de uma inversão de valores.
O prefeito, ao comparar os bandos do narcotráfico com as milícias, diz que “uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”.
Talvez nem tanto. Porque ninguém garante que as milícias, uma vez instaladas nos morros do Rio, não passem também a operar no negócio das drogas, considerando que não se pode extrair muito na extorsão a uma população que pouco tem. Há informação de que pelo menos uma das milícias –há tantas– já esteja entrando no lucrativo comércio das drogas.
Ao se colocar contra a imprensa e a favor das milícias, Cesar Maia comete um grande equívoco. Porque ele legitima um aparelho repressor que não está sob o controle do Estado. Isso é inadmissível numa sociedade democrática, onde a lei deve imperar em quaisquer circunstâncias e sem complacência para com quem quer que seja.
No mais, criar serpentes para comer serpentes não acaba com as serpentes.
xxx
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