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Bloqueio a site é precedente preocupante


A BrT (Brasil Telecom) confirmou hoje que bloqueou sábado o acesso ao YouTube. A empresa deveria ter se manifestado antes, em respeito aos seus clientes. A liminar concedida pela Justiça determina a interdição só das imagens que flagram a modelo Cicarelli e seu namorado, o empresário Malzoni, atracados numa praia espanhola, mas a Brt informa que é tecnicamente inviável bloquear apenas um vídeo.

A empresa instalou um filtro em seu backbone de tráfego internacional de pulsos da internet. Com isso, não só os clientes da Brt perderam o acesso ao site, mas todos de provedores que utilizam o mesmo backbone.

Liminar é uma decisão provisória e ela poderá ser derrubada por uma outra determinação judicial a qualquer momento; e ninguém acredita que o bloqueio dure por muito tempo.

A própria BrT já deveria ter recorrido à Justiça para derrubar a liminar e garantir a livre navegação de seus clientes. Mas certamente ela considera que isso não é de sua conta, mas apenas a mensalidade paga em dia por seus clientes.

De qualquer forma, de um jeito ou de outro o bloqueio não vai durar muito, porque não tem cabimento impedir o acesso a milhões de vídeos por causa de um único deles.

O que fica é o exemplo de como é fácil censurar a internet, o que nunca havia ocorrido no Brasil, mas em países como a China, onde não há liberdade de expressão.

Bastam um liminar e um filtro (um soft bloqueador), e milhões de pessoas perdem o direito de navegar onde quer que seja. Trata-se de um precedente preocupante, porque é uma forma de censura à qual outros poderão tirar proveito. Abriu-se uma brecha.

Hoje, o bloqueio à internet se deu por iniciativa de um casal que se sentiu ofendido por imagens colhidas num espaço público. Mas amanhã o uso de filtro no tal backbone poderá ser obtido, por exemplo, por um governo que se sente incomodado por denúncias ou críticas de determinados sites, sejam de brasileiros ou estrangeiros. O mesmo poderá fazer alguma instituição que se arvora em guardiã da moral e dos bons costumes.

A sociedade tem de reagir. Ela não pode deixar por conta da BrT a preservação da liberdade de expressão.

Comentários

Mas e que medidas legais podem ser tomadas pelos usuários, não só você como os outros todos dizem que algo deve ser feito, mas nunca fazem ou não explicam como realmente a população pode agir contra esses abusos.

Ou vai me dizer que tu ainda acredita que a geração cara pintada fez algo? E não era só massa de manobra e figurinha de postal?
Paulo Lopes disse…
Ederson: a medida a ser tomada é recorrer à Justiça. O blogueiro Jorge Araujo, que é juiz do Trabalho, recomenda que se apele ao Código de Defesa do Consumidor. Leia a nota deste blog intitulada "Bloqueio de site irrita usuários e blogueiros". Está lá o link para o blog do Araujo.

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