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Militar acusado de tortura não vai à audiência

O coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra (foto) não compareceu ontem (8), quarta, à primeira audiência do processo aberto contra ele sob a acusação dele ter sido torturador na época da ditadura militar.

Na audiência, Maria Amélia Teles contou como foi torturada pelo coronel. Sua irmã, marido e dois filhos também foram submetidos a constrangimentos.

Esse processo é inédito, porque, até então, a Justiça entendia que a Lei de Anistia impedia que se cobrasse responsabilidades dos militares acusados ou suspeitos de terem sido torturadores. Os advogados do coronel vão recorrer à Justiça com o argumento de que não cabe exceção à Lei da Anistia.

A ação não é movida contra o Estado, mas contra um funcionário público Ustra, o que também é inédito nesse tipo de caso. A família de Maria Amélia não quer indenização, mas o reconhecimento de que foi vítima de danos morais e à integridade física.

O processo continua a tramitar e não há previsão de prazo para uma conclusão.

Ustra é autor do livro "A Verdade sufocada - A história que a esquerda não que o Brasil conheça", da editora do próprio autor, Brilhante Ustra.

De acordo com o site Americanas.com, em resenha escrita supostamente pelo Ustra, o coronel conta em 451 páginas que, na luta contra os terroristas, houve cerca de 500 vítimas de ambos lados, que é "um número bastante reduzido se o compararmos com os demais países da América Latina" onde também houve terrorismo.

Esse argumento não ajudará em nada os advogados do Ustra, porque subestima a turtura praticada no Brasil em relação a outras que houve na América Latina, como se a quantidade das vítimas servisse de escala de valor entre atrocidades semelhantes.

A foto desta nota foi copiada de um site criado para promover o livro do coronel.

Aqui, notícia da Folha, só para assinante.

Órfãos da ditadura reagem aos "terroristas" do governo.

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