segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Escritor desmente mito de que não há ateu em leito de morte

Oliver Sacks disse estar 
grato com a relação sexual
 que teve com o mundo
Os crentes fanáticos gostam de afirmar que não há ateu em leito de morte, porque, antes do último suspiro, o infeliz acaba “aceitando Jesus”. Trata-se, evidentemente, de um mito, porque a descrença se encontra na ampla esfera da razão natural, de onde só se sai em caso de demência.

O ateu Oliver Sacks (foto) é mais um que desmente esse mito. Com câncer, o neurocientista e escritor inglês de 81 anos está morrendo. A doença começou em um de seus olhos e, nove anos depois, se espalhou por outros órgãos, incluindo o seu fígado.

No The New York Times ele escreveu uma despedida admitindo estar com medo da morte, mas, acrescentou, o seu sentimento predominante é o de gratidão. Disse que ama e tem sido amado pelas pessoas, o que lhe dá prazer. “Eu tive uma relação sexual com o mundo”, escreveu, referindo à interação entre escritor e leitores.

Entre outros livros, Sacks escreveu “Tempo de despertar” e “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”.

Ele afirmou que o fato de ter apenas alguns meses de vida não significa que tenha decidido ficar em um leito à espera do fim. “Pelo contrário, eu me sinto intensamente vivo, e quero e espero continuar a aprofundar minhas amizades, para dizer àqueles que amo, para escrever mais, para viajar, e, se tiver força, alcançar novos níveis de compreensão.

Antes de perder um olho para o câncer, Sacks deu uma entrevista dizendo que é um judeu ateu, mas não um militante do ateísmo porque não tem o tipo de argumentação de Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris — autores de cujos livros ele gosta muito.

Falou que cresceu em um mundo darwiniano e que, quando se mudou para os Estados Unidos, ficou assustado quando descobriu que no país há milhões de pessoas que não acreditam na teoria da evolução.

O seu susto se transformou em preocupação quando percebeu que o fanatismo religioso está se expandindo em várias regiões, contrariando a sua expectativa de que o mundo se tornaria cada vez mais secular.

Disse que estava preocupado principalmente com a influência da crença na política educacional dos Estados Unidos.

“Parece-me monstruoso que o criacionismo, ou o chamado design inteligente, seja ensinado tanto quando a teoria da evolução. Isso é quase uma forma de loucura.”

Com informação do NYT e outras fontes e foto de divulgação.






Hitchens é exemplo de como um ateu enfrenta a morte

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