quinta-feira, 29 de maio de 2014

Ler Bíblia nas escolas não é religião, afirma vereadora

Carla Pimentel
Evangélica subestima
a inteligência alheia
Carla Pimentel (foto), de Curitiba (Paraná), é mais uma vereadora evangélica que, em vez de se preocupar com questões de interesse de toda a comunidade, empenha-se em impor a sua religião a todos.

A diferença entre ela e outros parlamentares que usam o seu mandato para evangelizar é que Pimentel, certamente julgando-se esperta, subestima a inteligência da população.

É o que ela mostrou ao apresentar projeto de lei que, se aprovado, sugere à prefeitura que adote em caráter obrigatório ou opcional a leitura da Bíblia nas escolas públicas e particulares. Em desprezo ao discernimento alheio, ela negou o óbvio, que o projeto não tem nenhum cunho religioso, porque se trata apenas de uma iniciativa “educacional”.

“A leitura bíblica proporcionará aos alunos fundamentos históricos”, disse a evangélica. "A minha intenção com a lei é que a Bíblia seja usada para a pesquisa, já que é rico em informações científicas, culturais, arqueológicas.”

Não há sequer um único historiador de credibilidade que atribua valor “educacional” à Bíblia, considerando-a pelo que é: o livro sagrado dos cristãos que contém pregações sensatas e outras absurdas, como as que justificam o extermínio de etnias.

Vereadora pelo PSC, Carla Pimentel é missionária. Sua página no site da Câmara Municipal informa que é neta do pastor José Pimentel de Carvalho, um dos fundadores das Igrejas Evangélicas Assembleias de Deus do Paraná.

O projeto de lei é, obviamente, inconstitucional porque nenhuma instância de governo pode beneficiar direta ou indiretamente crença religiosa. Esse é o caráter da laicidade do Estado brasileiro, o qual deve ou deveria sem obedecido por todos, a começar pelos detentores de cargos políticos, para dar exemplo.

Na argumentação do projeto, a “educadora” Pimentel se contradiz. Ao mesmo tempo em que afirmou que a leitura da Bíblia em sala de aula nada ter a ver com religião, ela disse que proibi-la aos estudantes é “uma intolerância [religiosa] que leva ao preconceito e a um ato de discriminação”.

A vereadora reproduziu o que sempre se diz da Bíblia, que se trata do livro mais traduzido, mais lido, etc., etc. Disse também que o livro cristão ajudou nas decisões de líderes como George Washington e Abraham Lincoln.

O projeto de lei precisa ser aprovado por comissões temáticas da Câmara para chegar ao plenário e ser votado. Se for aprovado, terá de ser sancionado pelo Executivo.

Independentemente disso, Pimentel já está concorrendo ao troféu Cara de Pau.

Com informação do BandeNew e outras fontes, e foto de divulgação.





CNBB afirma que escolas não podem impor o pai-nossos
abril de 2012


Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...