sábado, 22 de março de 2014

No Brasil, dizer ser ateu é quase ofensa a religiosos, diz jornal

do Diário de Cuiabá

Por temer a intolerância
de religiosos, há quem não
 revele sua descrença
O brasileiro em geral é muito religioso. Em Cuiabá, por exemplo, o catolicismo é uma das religiões mais fortes e isso se deve à colonização do país pelos portugueses e, consequentemente, das cidades. Mas há quem consiga viver sem crenças nas divindades. De acordo com o Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os ateus e agnósticos representavam 0,39% de uma população de 190 milhões de pessoas.

Em um espaço que abrange diversas religiões e crenças, é visível o pré-conceito que se forma, como o candomblé, religião que possui influências africanas. Agora, imagina para quem vive como ateu, dizer que não acredita em Deus é quase uma ofensa na sociedade que prega e adora as doutrinas. Sendo assim, para fortalecer a aceitação, a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), se fortalece a cada dia nas redes sociais, e luta contra o preconceito e a discriminação.

Segundo a Atea, no dia-a-dia, as diversas maneiras de expressar o preconceito com o ateu, tal como a associação que se faz entre a criminalidade e a ausência de religião. "Só um sujeito sem Deus no coração poderia ter feito isso", exemplificam. O publicitário João Abilio, 29 anos, que durante a infância não frequentava muito a igreja, apesar de ter nascido em uma família católica praticante.

Sendo assim, cresceu com uma liberdade de pensamento e já na adolescência era questionador e curioso. “Busquei conhecer de tudo: história, biologia, futebol, física quântica e etc”, lembra. Nessa época ele de proclamava católico.

Ainda nessa fase, começou a refletir sobre questionamentos, como: Se a Igreja é tão rica, porque não ajuda aos que precisam. E nas aulas de história, fatos como a Reforma Protestante, Inquisição, Iluminismo e Renascimento chamavam muito a atenção. Com 24 anos, o jovem voltou o pensamento para buscar se enquadrar, foi quando se definiu como ateu “que está dentro do armário”.

A expressão se deve ao medo de se expor, justamente pela reação das pessoas. “Procuro não me proclamar. Evito o debate com a família, mas com amigos tenho abertura. Mas se estou próximo de uma pessoa muito religiosa, evito assumir minha descrença”, conta o publicitário, que já sofreu preconceitos por isso.

“Toda vez que digo que sou ateu, a pessoa arregala os olhos, me olha torto e me pergunta se eu não acredito em alguma coisa”, conta, mas ele afirma não sentir a necessidade de ter um Deus ou um Guia espiritual. Apesar disso, ele ressalta que admira o trabalho social de muitas igrejas e respeita a diversidade de pensamento.

Afirmando não querer mudar a crença das pessoas, João pede que apenas respeitem o posicionamento das pessoas que, assim como ele, não possuem nenhuma crença. “Não é uma crença que define a conduta e o caráter da pessoa. Gostaria apenas que houvesse maior esclarecimento, respeito e liberdade religiosa”, finaliza.

Quem se identifica com o posicionamento de João, o site da Atea está disponível para tirar as dúvidas sobre o assunto, bem como a necessidade crescente de ateus se organizarem. Criada em 2008, atualmente conta com mais de 12.300 associados em todo o país.





Atea recebe até 10 denúncias por mês de preconceito
novembro de 2012

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