Paulopes

Religião, ateísmo, ciência, etc.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ex-chefe de jornalismo do SBT critica a defensora de chacinas

Ricardo Melo disse que sente repulsa
por quem acha 'compreensível' a chacina
O comentarista da Folha e ex-chefe do departamento de jornalismo do SBT Ricardo Melo (foto) lamentou hoje no jornal que “o preceito da liberdade de expressão” venha sendo usado “para quem prega a justiça pelas próprias mãos”.

“Repulsa é pouco para descrever o sentimento despertado pelo comentário que justifica, por "compreensível", a barbárie praticada contra um menor no Rio”, escreveu.

Trata-se de uma referência clara à jornalista Raquel Sheherazade (na foto abaixo), apresentadora do SBT Brasil, embora o nome dela não tenha sido citado. Foi ela quem considerou “compreensível” o ataque de justiceiros no Rio de Janeiro a um menor de idade negro— ele tem duas passagens pela polícia. O jovem foi espancado, linchado e, como na época da escravidão, preso a um poste.

Disse a jornalista: “Num país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos “vingadores” é até compreensível”.

Sheherazade incita povo a fazer
justiça com as próprias mãos
A opinião dela continua repercutindo nas redes sociais, tendo, de um lado, gente elogiando-a e, do outro, criticando-o.

Na semana da afirmação polêmica de Sheherazade, o SBT demitiu três comentaristas — Carlos Chagas, José Nêumanne Pinto e Denise Campos de Toledo.

O próprio Ricardo Melo foi dispensado um dia antes de a Sheherazade ter pregado a justiça com as próprias mãos. Ele teria se desentendido com o departamento de relações humanas da emissora, que queria o comparecimento ao trabalho de um funcionário doente.

O SBT demitiu os comentaristas sob a alegação de que vai dedicar maior tempo às notícias, mas ainda não se sabe se Sheherazade continuará com espaço para suas opiniões. De qualquer forma, ela está com o emprego garantido na emissora, pelo menos por enquanto, porque conta com a proteção de Silvio Santos, o dono do SBT.

Em seu artigo, Ricardo Melo argumentou que não defende a restrição de liberdade de expressão de quem quer que seja. A questão, segundo ele, é avaliar o que foi dito — “e isto também é, ou deveria ser, uma prerrogativa básica”.

Com base nessa prerrogativa é que afirmou que se sente enojado com “representantes das trevas” que declaram “apoio ao ódio”.

Yvonne está chocada por  viver
em uma "sociedade nazista"
Escreveu haver o mito de que existe liberdade de expressão. “Quem já trabalhou numa redação mainstream sabe que nunca é exatamente assim. Coisas do sistema, e não pretendo me alongar sobre isso neste momento. É o jogo jogado. A título de exercício apenas: você já viu algum jornalista ter espaço em rede nacional para criticar o dono do veículo que o contratou?”

O que ele gostaria mesmo é que pessoas como a artista plástica Yvonne Bezerra de Mello (na foto ao lado), que acudiu o jovem acorrentado, se tornasse comentarista de TV. E, no entanto, conforme palavras da própria Yvonnw, ela foi xingada nas redes sociais e por e-mail e telefone. "Me acusaram de educar bandido", disse. "É um choque saber que vivemos em uma sociedade nazista, fascista".

Em julho de 1993, Yvonne já tinha denunciado a chacina que resultou em oito mortes de seis crianças e dois adultos que dormiam nas proximidades da Igreja Candelária, no Rio. Descobriu-se depois que os matadores eram policiais.

Escreveu Melo: "Pergunta incômoda: por que apesar de tanta liberdade de expressão Yvonne não tem espaço como comentarista de TV? Fica a ideia".


"A atitude dos vingadores é até compreensível"

video

Com informação da Folha, entre outras informações.





Há até quatro linchamentos por semana no país, diz sociólogo
fevereiro de 2008


Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...