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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Ateísmo não diz o que é certo ou errado, não dita normas morais


por Rodrigo César Dias a propósito de

Não sei se é desconhecimento, má-fé ou vontade de aparecer o que leva alguém a afirmar que o ateísmo é intrinsecamente mau, que ele pode ser causa de violência. Isso não tem pé nem cabeça.

O ateísmo apenas nega a existência de Deus, mas não faz qualquer pronunciamento sobre ética. Ele não prescreve normas morais, não diz o que é certo e o que é errado, não ordena que se faça o bem ou o mal. Em outras palavras, o ateísmo não manda matar, estuprar ou assaltar, assim como não manda salvar quem está sendo morto, estuprado ou assaltado. Ele é amoral por natureza, não imoral, como dizem os religiosos.

Vou dar um exemplo para ilustrar a diferença entre ateísmo e cristianismo no que diz respeito à moral. Tempos atrás, a atriz americana Rene Russo foi convidada para fazer um filme que continha cenas de sexo. Como era cristã, ela ficou em dúvida se deveria aceitar o convite, e resolveu ler a Bíblia para saber se havia alguma proibição explícita nela. Como não a encontrou, topou participar do projeto.

O ateísmo, ao contrário do cristianismo, não possui o seu livro sagrado - ou profano, como queiram. Não existe a Bíblia dos ateus. Nenhum livro tem para nós a mesma importância que a Bíblia tem para os cristãos, ou o Corão para os muçulmanos, ou a Torah para os judeus. Um ateu pode admirar a obra de um Nietzsche, de um Marquês de Sade ou de um Richard Dawkins, e pode até mesmo, caso esteja enfrentando um dilema moral, buscar apoio e inspiração nesses autores. Mas ele jamais lerá a obra de um intelectual ateu da mesma forma que um cristão lê a Bíblia, ou seja, como se fosse a palavra inquestionável de um ser infalível. No fim das contas, o verdadeiro árbitro da questão é a sua consciência, caso se trate de um bom ateu, ou a sua falta de consciência, caso de trate de um mau ateu.

Portanto, não existe o que se poderia chamar de posição oficial do ateísmo. O que existe, no máximo, são opiniões particulares de ateus sobre a moral. O Marquês de Sade sonhava em construir uma sociedade em que o crime, a rapina, o estupro e a calúnia fossem permitidos. Nietzsche queria não apenas permitir que cada um vivesse de acordo com sua própria lei, como queria devolver a cada um "a boa consciência". Schopenhauer, por outro lado, baseado na percepção de que este mundo é um inferno, pregava uma ética semelhante a de Cristo. O raciocínio dele era o seguinte: se este mundo é cheio de flagelos, se todo homem está sujeito a toda sorte de provações e desgostos, se somos todos enfim um bando de condenados, então temos a obrigação de agir com bondade, compaixão e amor.

Se existisse uma posição oficial do ateísmo a respeito de ética, os ateus, em seus pontos principais, seriam todos mais ou menos iguais. Os cristãos, por exemplo, conquanto se diferenciem na prática, conquanto jamais façam o que pregam, valorizam a bondade, o amor ao próximo, o perdão, a piedade etc. Eles pelo menos se assemelham no discurso. Os ateus, ao contrário, são diferentes até mesmo em relação a isso. A moral que norteia a minha conduta é diferente da de qualquer outro ateu que comenta neste blogue.





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