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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cobertura a pedófilos mostra que Ratzinger é rei dos cínicos

do leitor Roberto a propósito de
Papa afirma que abuso de crianças por padres ‘é um mistério’

Papa escreveu cartilha que contribuiu
para a impunidade dos pedófilos
Joseph Alois Ratzinger é o rei dos cínicos. Ele tem tentado fazer parecer que não sabia que a pedofilia estava entranhada na Igreja Católica, só que em meados da década de 60 ele próprio, então cardeal da ICAR, foi o responsável pela redação final da Crimen Sollicitationis (que prefiro chamar de Cartilha da Vergonha) que continha as orientações gerais que as dioceses deveriam seguir ante denúncias de abuso contra padres.

A mais notória das orientações foi seguida à risca em todas as unidades da Igreja Católica no mundo, e ainda continua em uso no Brasil: imediatamente transferir o padre acusado para uma paróquia do interior, em cidades bem pequenas, normalmente com menos de 30 mil habitantes. E se novamente era flagrado em seus propósitos "divinos", o padre era/é sucessivamente transferido para outras cidades, cada vez menores, cada vez mais distantes das capitais.

Por isso que hoje quando um padre é finalmente pego em flagrante geralmente se descobre que ele já tinha cometido abusos nas outras cidades onde "trabalhou". A estratégia das dioceses — que seguiam o velho manual do Vaticano — somada à omissão que havia antigamente por parte de delegados de polícia no Brasil, permitiu que o câncer se espalhasse e transformasse a pedofilia clerical numa verdadeira epidemia.

Antigamente delegados, prefeitos e padres tinham enormes laços "sociais", tanto que isso é até ironizado em músicas da nossa MPB. Hoje a polícia é mais técnica (agora para ser delegado é necessário ser formado em Direito) e menos apegada à tradição de frequentar igrejas — o que todavia não significa que os delegados de hoje sejam ateus (inclusive tem muito delegado evangélico por aí).

Além disso organismos como o Ministério Público estão mais atuantes, tendo sido inclusive criadas promotorias específicas para a proteção de crianças e adolescentes. E ainda tem a imprensa, hoje também menos subserviente à Igreja Católica (embora ainda goste de bajulá-los nas festas religiosas em nome da tiragem e da audiência).

A sociedade civil ainda fracassa retumbantemente na proteção das nossas crianças. Sobretudo porque ainda subsiste a ideia de que um padre pedófilo é uma "exceção" dentro das igrejas.

Na verdade o que acontece é que muitos outros padres ainda não foram flagrados, graças à fuga "à francesa" garantida pelas dioceses e arquidioceses — que em vez de levar às autoridades civis uma denúncia encaminhada a elas ainda usa o expediente da transferência "interna", apenas retirando o padre da paróquia/cidade onde a coisa já está ameaçando a imagem da Igreja.

Há 5 décadas, quando já haviam denúncias consistentes contra padres, o cardeal Ratzinger deu todas as coordenadas para a pedofilia cristã ser abafada. Agora ele está aí, na condição de "papa", fazendo-se de desentendido e tergiversando que a Igreja Católica tem interesse na erradicação dos padres pedófilos...

Na idade das trevas a Igreja Católica apostou no medo e na ignorância. Mais tarde passou a depender apenas da ignorância. Hoje ela joga todas as fichas na amnésia alheia.

Esse Ratzinger aí não vale o ar que respira. O que dirá das coisas que fala.





A caricatura do papa é de autoria de Manohead. Ela obteve o segundo lugar do IV Salão Dino de Humor do Litoral Paulista.

Padres pedófilos hoje parecem um batalhão internacional
por Maureen Dowd, do NYT, em abril de 2010

Padres pedófilos.   Posts de leitor.

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