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Religião, ateísmo, teoria da evolução e astronomia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Pastor rompe com evangélicos por não apoiar a intolerância

Ricardo Gondim se tornou um estranho no ninho
O pastor Ricardo Gondim (foto), 54, anunciou em seu blog que está se afastando do que ele chama de “movimento evangélico” para não ter de compactuar com a intolerância e com a transformação dos cristãos em consumidores. 

Em um texto com o título “Tempo de Partir”, indagou: “Por que uma ruptura radical?” Ele respondeu que está preservando a sua “alma da intolerância”. “O movimento evangélico nacional se apequenou.”

“Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire marca que vende bem”, escreveu. “Não posso aceitar, passivamente, que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, em balcão de serviços religiosos.”

Gondim afirmou que não abandonará a sua vocação de pastor, mas ainda não sabe que rumo vai tomar. “Mas estou certo dos caminhos por onde não devo seguir.”

Ele disse que a sua fé está marcada por rompimentos. Foi batizado na Igreja Católica, passou pela Igreja Presbiteriana, pertenceu à Assembleia de Deus e ultimamente estava na Igreja Betesda, onde virou “um estorvo”.

Gondim começou a se tornar um “estranho no ninho” quando, no começo de 2011, escreveu o artigo “Deus me livre de um Brasil evangélico”, onde destaca que o puritanismo religioso importado dos Estados Unidos, caso continue se expandindo, causará uma devastação na cultura brasileira, entre outros danos.

O pastor criou nova polêmica entre seus pares quando defendeu a união entre homossexuais. E também quando escreveu que Deus não está no controle de tudo, porque, se estiver, Ele pode ser apontado como o responsável também pelas mazelas da humanidade.

Mais recentemente ele disse, em uma entrevista na TV, que os ateus têm de ser ouvidos e respeitados. Já antes dessa entrevista chegou ser chamado de "pastor herege".

Gondim escreveu qual foi o resultado desses seus posicionamentos: “Senti na carne a intolerância e como o ódio está atrelado ao conformismo teológico”.

O pastor contou em seu artigo de agora que vivenciou algumas falcatruas cometidas por cúpulas de igrejas, como o aliciamento em eleição de pastores. Em outro caso, disse que participou de “cruzadas evangelísticas” cujo objetivo foi tão somente filmar multidão para exibi-la nos Estados Unidos com a finalidade de arrecadar dinheiro.

Seguem trechos do artigo do pastor.

- "Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas."

- "Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis."

- "As decepções não foram suficientes para azedar a minha alma, sequer fortes para roubar a minha fé."

- "Recuso-me a continuar esmurrando as pontas de facas de uma religião que se molda à Babilônia".

- "Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir."

- "Quero dialogar com as ciências sociais. Preciso variar meus ângulos de percepção. Não gosto de cabrestos. Patrulhamento e cenho franzido me irritam."






Pastor escreve: ‘Deus nos livre de um Brasil evangélico’
fevereiro de 2011


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