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Religião, ateísmo, ciência, etc.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ministro pede perdão e evangélicos impõem sua agenda ao governo

O ministro petista e católico praticante Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República) teve de pedir “perdão” à Frente Parlamentar Evangélica por causa, segundo ele, “de uma interpretação equivocada” sobre o que dissera em relação aos pastores.

Os parlamentares evangélicos tinham declarado guerra ao ministro (e por extensão ao governo) desde que ele afirmou no Fórum Social Mundial, no mês passado, que o PT precisa disputar com os pastores o poder de influir nas classes emergentes.

Ficou entendido, na ocasião, que se tratava de uma guerra ideológica necessária para que o governo conseguisse aprovar medidas liberais, como as relacionadas aos homossexuais.

Nesta quarta-feira (15), um dos homens mais influentes do governo e do PT teve de passar pelo constrangimento de pedir à bancada evangélica “desculpas” e “perdão”.

Para não perder o apoio dos evangélicos nas eleições municipais, o governo e o PT estão tendo de engolir a agenda conservadora dos religiosos.

Além do mico que Carvalho teve de pagar, a ministra recém-empossada Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres) está tendo de medir as suas palavras, na expectativa de que deixe de ser atingida pelo chumbo grosso das críticas de religiosos desde que ela, em uma entrevista, disse que pessoalmente é favorável à legalização do aborto.

A própria presidente Dilma Rousseff teve de reiterar que seu governo não vai propor nada em relação a essa questão e que Eleonora só falou em seu nome.

Há ainda a troca súbita pelo Ministério da Saúde de um vídeo da campanha de prevenção ao HIV no Carnaval porque a primeira versão desagradou aos evangélicos por mostrar dois homossexuais se tocando no rosto.

Independentemente disso, pastores ultraconservadores, como Silas Malafaia, já avisaram que vão fazer campanha contra o candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, por ele ter sido o responsável pelo chamado  "kit gay" em sua gestão no Ministério da Educação. Kit que, aliás, não foi distribuído às escolas por pressão dos religiosos.

Carvalho tinha defendido em público uma “guerra ideológica” contra as lideranças evangélicas por acreditar que elas hoje têm grande poder político, mais até do que demonstraram nas eleições presidenciais.

Os acontecimentos dos últimos dias confirmam isso.

Religiosos intensificam ataques para desmoralizar ministra pró-aborto.
fevereiro de 2012

Religião na política.

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