Pedofilia faz a Irlanda fechar embaixada na Santa Sé

A ex-catolicíssima Irlanda anunciou na sexta-feira (4) o fechamento de sua embaixada na Santa Sé porque, nas palavras do Eamon Gilmore, ministro das Relações Exteriores, "não produz retorno econômico".

O real motivo, contudo, é a crise que se estabeleceu entre o governo irlandês e o Vaticano por causa das denúncias contra padres pedófilos que começaram a surgir há dois anos.

Em julho, o primeiro-ministro irlandês Enda Kenny acusou o Vaticano de convencer os bispos do país a acobertar os casos de pedofilia dos padres. Na época ele advertiu o papa de que a “religião não comanda a Irlanda” porque no país “impera a lei civil, laica”.

Nessa mesma ocasião, o governo convocou o embaixador do Vaticano no país para que desse uma explicação sobre uma carta de 1997 de um departamento interno do Vaticano recomendando os bispos irlandeses a rejeitarem o processo de “denúncias obrigatórias” de sacerdotes suspeitos de abuso de criança.  Cerca de 12 mil crianças foram vítimas de padres nas últimas décadas, de acordo com uma comissão de inquérito independente.

Irlanda quer que Vaticano explique orientação para acobertar pedofilia.
julho de 2011

A Reuters informou que o Vaticano ficou “extremamente irritado” com a desculpa da Irlanda sobre o “retorno econômico” para justificar o fechamento da embaixada. Porque, segundo uma fonte próxima do papa citada pela agência, o objetivo do Vaticano é promover valores humanos, e não dividendos econômicos aos países ali representados.

Gilmore anunciou que o fechamento das embaixadas na Santa Sé, Timor-Leste e no Irã vai proporcionar  neste momento de crise a economia de 1,25 milhão de euros por ano, cerca de R$ 2,8 milhões.

O cardeal Seán Brady, primaz da Igreja Católica irlandesa, disse estar “profundamente decepcionado” porque o país tem representação diplomática na Santa Sé desde 1929. Ele afirmou ter expectativa de que haja um recuo na decisão do governo.

Uma pesquisa de uma organização não governamental revelou que o “descolamento” da população irlandesa da Igreja Católica se acelerou com a divulgação dos casos de padres pedófilos e que a maioria acredita que a hierarquia eclesiástica foi de fato conivente com os abusadores de crianças.

Documentos comprovam que a
 igreja acobertou os pedófilos
O comparecimento às missas caiu drasticamente,  reconheceu Diarmuid Martin, arcebispo de Dublin. Ele disse que, diferentemente do que ainda acreditam muitas pessoas fora do país, a Irlanda deixou de ser “um bastião do catolicismo tradicional”.

“Elas ficariam surpresas ao saber que em Dublin a presença de fiéis às missas dominicais representa 5% da população católica e, em alguns casos, não chega a 2%.”

Foi o primeiro caso de um país de forte tradição católica em sua história que deixa de ter uma embaixada na Santa Sé. Vaticanistas especulam que outros países poderão fazer o mesmo sob o argumento de redução de gastos com as suas embaixadas.

Com informação das agências.

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julho de 2011

Casos de padre pedófilo.

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