Jovens índios questionam ritos com dor; antropóloga defende

Mãos em luvas com formigas gigantes
Em agosto do ano passado, o Fantástico mostrou meninos índios enfiando as mãos em luvas para serem picadas por formigas gigantes bravas. A expressão do rosto deles demonstrava que a dor era intensa.

Os jovens índios começam a questionar os ritos de passagem como esse.

Meninos e meninas, que vão à escola para aprender português e acessam a internet, informando-se sobre o que ocorre no mundo e que se interagem com os brancos pelas redes sociais, se perguntam por que devem se submeter à brutalidade em nome de uma tradição que já foi superada em muitos aspectos pelo aculturamento.

Há outros ritos tão brutais quanto ao da luva de formigas.

Dois exemplos: em aldeias da tribo dos kamayurás, as meninas, após a primeira menstruação, são mantidas reclusas por mais de um ano, com pouca comida e sem poder cortar o cabelo. Na tribo dos ikpengs, o rosto dos meninos tem de ser tatuado com espinho de tucumã sem qualquer tipo de anestésico.

Os próprios pais já começam a reavaliar esse tipo de ritos, porque, quando jovens, não gostariam de ser submetidos a eles, se pudessem evitá-los.

A defesa da tradição tem sido feita com ênfase por quem não precisa passar pela dor: os antropólogos. Sofia Mendonça, por exemplo, diz estar preocupada com a resistência dos jovens aos ritos, porque teme que se enfraqueça a identidade indígena deles, como se isso não ocorresse com o uso da internet, de tênis Nike, de equipamentos eletrônicos, de remédios químicos etc.

Mutuá, 13, de uma tribo do Xingu, reclamou do rito da tatuagem. “Judiaram de mim”, disse. “Me pegaram de surpresa, quando eu estava dormindo.”

Se depender dos antropólogos, um dia o filho de Mutuá terá de passar pela mesma tortura.

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