O intelectual ateu disse que, agora que adoeceu, a ideia de redenção e de libertação pelo sobrenatural lhe parece mais “oca e artificial”
Afirmou que as armas dos ateus contra a literalidade dos religiosos devem ser o “espírito irônico”, a mente aberta e a corajosa busca da verdade "contra essas forças temíveis e abjetas".
Hitchens é um dos principais pensadores do chamado "novo ateísmo". Escreveu vários livros, entre os quais “Deus não é Grande – como as religiões envenenam tudo”, traduzido em vários idiomas, incluindo o português do Brasil.
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Hitchens (1949-2011): tratamento contra câncer derruba cabelos |
Nos últimos anos, Hitchens destacou não só como escritor, mas também como debatedor com religiosos sobre crença e descrença. Na carta, ele escreveu que agora vem tendo uma “longa discussão” com o “fantasma da morte” e já sabe que perderá, porque “nunca ninguém ganhou”.
Ele sofre de um câncer raro.
Afirmou que, por causa da doença, a ideia de redenção e de libertação pelo sobrenatural lhe parece mais “oca e artificial”.
Disse que sua esperança de salvação advém da camaradagem dos amigos e parentes e da ciência médica avançada.
Falou também que essas forças, entre outras, um dia vão libertar a humanidade das “algemas forjadas pelo servilismo e superstição”. “É a solidariedade inata, e não o despotismo divino, que é a fonte de nossa moral e senso de decência.”
A carta de Hitchens tem tom de despedida. Ele escreveu que nos últimos anos surgiu uma "resistência genuína e espontânea" contra o "absurdo sinistro" e a "ilusão letal", que são a religião. Disse se sentir honrado por ter participado dessa resistência.
Texto com atualização para colocar a data de morte de Hitchens.
