por Natalia Cuminale, da Veja.com
Ao liberar o uso do chá da ayahuasca para fins religiosos, no começo deste ano, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) também reconheceu, ao menos implicitamente, que o consumo do alucinógeno é arriscado. Daí a existência, na mesma resolução, de regras como a proibição de que pessoas com histórico de transtornos mentais ou sob efeito de bebidas alcoólicas ou outras substâncias psicoativas ingiram a droga, e a obrigatoriedade de que as seitas do Daime "exerçam rigoroso controle sobre o sistema de ingresso de novos adeptos".
Faltou, no entanto, o mais importante: prever os mecanismos para que essas regras sejam implementadas com alguma eficácia.
Quem fiscaliza as seitas para saber se elas estão controlando o ingresso dos novos adeptos? Quem identifica os portadores de transtornos mentais - os líderes religiosos? Quem será responsabilizado caso a resolução não seja seguida? Fazer essas perguntas às autoridades leva, hoje, a um série de contradições... alucinante.
Segundo Paulo Roberto Yog de Miranda Uchôa, chefe da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) - que exerce a função executiva do Conad –, a fiscalização acerca do uso do chá cabe tanto "às instâncias que congreguem as entidades usuárias" (ou seja, entidades como Cefluris e a União Vegetal, que têm vários templos espalhados pelo país) como "aos diversos órgãos da administração pública, conforme suas competências específicas".
Vladimir de Andrade Stempliuk, coordenador-geral do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, subordinado ao Senad, é mais específico: "Compete aos diversos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas a fiscalização e a imposição de medidas legais caso estas sejam pertinentes", explica. Dessa forma, se tornariam responsáveis, por exemplo, o próprio Conad e, indiretamente, entidades como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal (PF), que compõem o Conselho Nacional.
Mas nem todos entendem assim. Procurada pela reportagem, a Anvisa afirmou que a ayahuasca não faz parte da lista de substâncias que caem sob seu controle. Já o Ministério da Saúde encaminhou a reportagem para o Conad, alegando com razão ter sido esse órgão "quem regulamentou o uso religioso dessa bebida no Brasil". Igualmente, o Ministério Público Federal, apontou para o Conad. Os promotores, contudo, podem agir caso haja descumprimento da fiscalização. Ainda segundo o MPF, "nenhum procedimento nesse sentido" está registrado na base de dados da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC).
A resolução do Conad recomenda ainda que a produção da bebida seja auto-sustentável, veta seu comércio e propaganda do composto e estabelece que o cultivo e o transporte só devem ocorrer para fins religiosos. Mas quem, de fato, fiscaliza a produção e comércio dessas plantas? A Polícia Federal, por exemplo, alega que sua função se restringe ao controle do DMT (n-dimetiltriptamina), a substância alucinógena do chá da ayahuasca. "Se isolado, o DMT passa a ser droga proibida, portanto conduzi-la ou comercializá-la será crime a ser enquadrado na lei contra uso e tráfico de entorpecentes", explica em nota.
Fiscalizar o plantio da erva-rainha ou do cipó-jagube, dos quais são extraídos o DMT, portanto, não seria atribuição da PF.
Para os juristas, os furos no sistema criado pela resolução do Conad são gritantes. "O poder público pecou em não regulamentar mais clara e objetivamente o uso do chá", diz o advogado criminalista André Alves Wlodarczyk. Ao que o advogado constitucionalista João Wiegerinck acrescenta: "Por eliminação, percebemos que a fiscalização só será feita quando provocada: quando alguém passar mal ou surtar com a bebida. Obviamente, é uma falha." Não há dúvida de que a própria entidade religiosa que faz uso do chá poderá ser responsabilizada em caso de dano a um fiel, se não forem observadas as orientações da resolução do Conad.
"A igreja tem o dever de indenizar, se for provado que ministrou sem os cuidados que a resolução determinava", diz Wlodarczyk. Pode, em tese, vir a ser o caso da Céu de Maria, seita fundada pelo cartunista Glauco e onde seu assassino, Carlos Eduardo, bebia o daime. Isso porque, Carlos Grecchi, pai de Carlos Eduardo, afirma ter pedido a Glauco que parasse de dar o daime ao filho em 2007. Não teria sido atendido.
A resolução também é criticada por profissionais da saúde pública. Ela entrega aos próprios religiosos a responsabilidade de dizer quem está apto a tomar ou não o chá. Mas essa deveria ser uma tarefa de psicólogos ou psiquiatras.
Segundo Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e presidente do Grupo Multidisciplinar de Trabalho do Conad, "o uso do chá é arriscado para pessoas que tomam antidepressivos e é contra-indicado a pessoas com diagnóstico de psicose, já que aumenta muito a produção de certas substâncias no cérebro".
Para ele, o Conad deveria desenvolver algum tipo de instrumento para aferir se as entidades religiosas estão realizando o questionário ou não. "A falta de fiscalização pode levar o aparecimento de vários casos graves”, diz Silveira.
Preocupado com as brechas deixas pela resolução do governo sobre o daime, o psiquiatra Emmanuel Fortes, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e novo representante do órgão no Conad, acredita que o atual estado de coisas pode desaguar em um problema de saúde pública.
"É uma temeridade. As pessoas não saem por aí dizendo se têm doença mental ou não. Isso merece uma reflexão por parte do Conselho Federal de Medicina", diz, criticando abertamente a capacidade de as entidades religiosas decidirem quem pode ou não tomar o chá.
"Com a ampliação e o crescimento organizado de novas seitas, os casos de efeitos colaterais indesejados e o agravamento de estados psíquicos começarão a aparecer", acredita Carlos José Renaut Filho, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que presta consultoria a uma entidade daimista no Rio de Janeiro.
Embora eu concorde que deveria haver maior rigor e disciplina no controle do chá do daime, a desculpa inventada pelo pai de Cadu Nunes junto com o advogado não colam, e não pode ser levada à sério como argumento para responsabilizar a seita e o chá pelo crime que Cadu cometeu.
ResponderExcluirEle não é um louco incapaz de saber o que está fazendo. E sendo justo, quem é o pai de Cadu, o Carlos ou o Glauco? Então quem deveria cuidar dele? O Glauco? Não! O pai sabia que o filho era psicopata e ainda mais: sabia que o filho era traficante - de todo tipo de drogas - e também consumidor de todas, sabia que o filho era baladeiro. O próprio pai dá a entender que também já fumou maconha, pois consegue dizer "ninguém que fuma maconha fica assim". Todos os aspectos do crime que Cadu cometeu demonstram que ele havia consumido COCAÍNA e muitas bolas, como se vê na violência desde sua invasão ao sítio, sua fuga e tiroteio: como alguém ficaria dois dias sem dormir e dirigia mais de 12 horas sem parar e ainda entrando num tiroteio com a polícia? Fumando maconha é que não foi, pois isso provoca sono, lerdeza,letargia e fome. Tomando chá do daime também não foi. O rapaz traficava e possuía arma de traficante. Por que o próprio pai não cuidou de seu filho? Quem pensa que é Jesus Cristo faz sermão, tenta fazer milagre, e não compra uma arma com pente de 25 balas e invade uma casa no meio da noite agredindo e matando.
É preciso separar as coisas: discuta-se a regulamentação do chá. E o crime de Cadu seja tratado como crime e não fique impune.
Concoirdo plenamente com o anonimo acima.
ResponderExcluirEstá na hora de sabermos quem assassinou a madrinha Genecilda, em Pariquera-Açu. Pois tem gente aflita pra botar a mão em 1 miilhão de reais em seguro, pelo SANTANDER. Quem adivinhar quem é, ganha um doce.
ResponderExcluirEsse homem é doente e um perigo. Ele não toma daime pois diz aos 'afilhados' que tem que 'fiscalizar'. Ele só quer comercializar e não fazia o ritual como Mestre Irineu mandou. Agora, com essa resolução, não vai poder se cadastrar, então prefere que a bebida seja proibida. É o proprio demônio querendo acabar com a Luz. E agora é um tal de pessoas aparecendo dizendo que o filho morreu no Céu de Maria, tudo em São Paulo, onde o psicopata tem a "igreja". Não é difícil que o Cadu tenha ido lá. E a esposa dele que foi assassinada nas imediações de sua "igreja" depois de fazer um seguro de vida de um milhão de reais em que ele é o beneficiado? Faz bem o Bradesco e Santander que não querem pagar. Claro.
ResponderExcluirE quem controla os rituais com WACHUMA, no CNSC? Não é também uma droga? Aliás, quem está investigando o misterioso assassinato de uma madrinha de lá? No site, aparece o seu marido brigando com o banco pelo seguro de 1 milhão. É no www.ceunossasenhoradaconceicao.com.br
ResponderExcluirQual será a razão do site "cnsc" ter saido do ar????? kkkkk por que está cheio de mentiras!!! fraudes!!!! Maçonaria??? duvido que estejam de acordo com este bandido e muito menos que ele seja maçon como gosta de propagar!! kkkk e os depoimentos de muitos que já não querem ver aquele antro de criminosos e drogados kkkk ele tirava depoimentos com os caras chapados de ayahuasca batizada e ainda fazia que os mesmos assinasse que ele poderia veicular a imagem se quisessem paticipar dos tais "trabalhos"!!!, porque de trabalho nada tinha e sim consumo de droga coletiva!!! kkkkkk
ResponderExcluirE o caso da tal falecida?????? ele é o maior suspeito e acha que fazendo barulho tirará o foco de cima de dele...bandido burro! e da mesma forma ele faz com o Cefluris!..ataca para que ninguém vejaq as sujeiras que tem no cnsc! Bando de insetos peçonhentos!Mulheres surtadas mal amadas,homens sem carater e honra! Falta do que fazer! vivem se chapando, se enchendo de drogas, sendo manipulados por um espirito maligno do inferno, porque não tem o que fazer.Estas pessoas não tem amor proprio, não se respeitam, não tem valores morais, não tem familia, amigos....Tomem vergonha na cara! e vão trabalhar...bando de vagabundos!
Vê-se claramente que todos os comentários acima partem de pessoas usuárias e frequentadoras do ritual do santo daime. Por isso mesmo são incapazes de entender o caráter da matéria publicada. É evidente que uma seita que faz uso contínuo de Substância Psicoativa sob alegação de religiosidade tem que ser fiscalizada. Não estou dizendo que todos os frequentam esses rituais são viciados em alucinógenos, mas o certo é que muitos se aproveitam dessa "religiosidade" para consumir uma droga com efeitos semelhantes aos do LSD. Que seja defendida a liberdade de culto, mas não a liberdade ampla de consumo de alucinógeno sem fiscalização.
ResponderExcluirComentario muito pertinente e racional do anonimo(31/03 - 9:52) Tem que existir fiscalização rigorosa de todos os centros que usam ayahuasca.
ResponderExcluirCNSC NAO ESta fora do ar e o Santo Daime nao é droga :) que isso fique bem claro, esta provado cientificamente ok?
ResponderExcluirFicou fora do ar um tempo!!! Foi de alguma forma reeditado! A religião Santo Daime não é droga. Ayahuasca no CNSC é droga sim pois é distribuido irresponsavelmante e dentro do CNSC é usado com chá de lirio,cogumelos e broto de samambaia, sem falarmos em fezes de morcego .È também traficado pois é pago com armas ilegais como disse o proprio lider da quadrilha emiliano que é suspeito de assassinato!!! e que ainda acusa de "abater" quem não seguir suas ordens!
ResponderExcluirPara manipular opiniões, vocês usam a estratégia de fazer estardalhaço em cima de alguns poucos casos que dão problema, escondendo das pessoas que, para cada caso problemático, existem centenas e milhares de casos bem sucedidos de cura e recuperação de vidas.
ResponderExcluirO Daime tem suas regras e todos os casos que dão problema são casos em que há desrespeito a essas regras, basta vasculhar os casos que vocês se divertem publicando e logo descobrimos algum desrespeito às regras bàsicas. As pessoas querem tomá-lo para se divertir, por curiosidade, desprezando suas leis e exigência. Quando sofrem, ficam acusando a bebida ao invés de acusarem a si mesmos, que são os únicos responsáveis.
O assassino do Glauco fumava maconha e tinha problemas psiquiátricos. As regras do Daime não permitem que uma pessoa assim o ingira. O garoto do Pará que morreu afogado tomou Daime e foi nadar, outra infração das regras do Daime (se vc o toma, tem que ficar quieto, recebendo os ensinamentos).
É sempre assim. Vocês empenhados e falsear fatos, escolhar tragédias, divulgar, esconder benefícios etc.
Vai um pouco de informações para que aprendam:
http://imagensocultas.blogspot.com/2010/03/resposta-aos-inimigos-da-ayahuasca.html
Outro ponto interessante é que vcs evitam, de propósito, falar das diferenças entre os estados cerebrais sob efeito do Daime e os estados sob efeito de drogas. Ao mesmo tempo, escamoteiam conscientemente as semelhanças entre um cérebro em meditação e um cérebro sob efeito do Daime. Para piorar, evitam tocar no assunto da polissemia da palavra "droga", para poder sugerir que Daime é algo parecido com cacaína, maconha, heroína etc. E fazem tudo de propósito, porque são manipuladores de opinião.
ResponderExcluirAlgumas considerações:
ResponderExcluirLeia o livro Santo Daime Revelado e saiba a podridão nos cultos do santo daime:
http://www.ceunossasenhoradaconceicao.com.br/a-obra/livros-do-xama-gideon
Mestre Irineu nunca usou drogas, como consta em seu estatuto.
Padrinho Sebastião é um ex-hipie drogado e iludido que se auto-intitulou discípulo do mestre Irineu
Algumas igrejas do santo daime usam drogas(maconha, cocaína e crack em seus rituais)
até crianças usam.
Quem usa drogas é escravo, santa maria é ilusão de viciado!!!
Vcs atrasaram a evolução da humanidade, macularam uma bebida sagrada e fundaram a igreja do Ego!!!