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Virada que deu vitória a Lula foi consolidada por católicos e sem religião, diz especialista

Pesquisas previam vitória de Flávio Bolsonaro, mas apoio de católicos e sem religião deu a Lula 4,5 milhões de votos de vantagem, diz demógrafo


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno de 25 de outubro graças ao desempenho entre católicos, eleitores sem religião e adeptos de outras religiosidades, segundo análise do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, publicada no site #Colabora.

 Com base no agregador de pesquisas do Laboratório de Antropologia da Religião da Unicamp, que reúne 13 institutos, o estudo mostra Lula à frente entre católicos (52% a 43%), sem religião (55% a 35%) e outras religiões (53% a 39%).


Flávio liderou somente no segmento evangélico, por 60% a 29%, repetindo o padrão observado em 2022, quando Jair Bolsonaro consolidou esse alinhamento. 

Pela composição religiosa média das amostras, as pesquisas indicavam vitória de Flávio por cerca de 2,7 milhões de votos. As urnas, porém, deram a Lula 64,3 milhões de votos, ou 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões do adversário.

O comparecimento cresceu de 125,3 milhões para 128,2 milhões de eleitores entre os turnos, e o autor associa parte dessa alta a jovens, nordestinos e idosos, grupos com peso relevante de católicos e sem religião. 

Alves ressalva que a religião interage com classe, geração e região e que a hipótese depende de dados desagregados ainda indisponíveis.

Lula (PT) venceu o segundo turno da eleição de 25 de outubro com maior apoio relativo de católicos, eleitores sem religião e adeptos de outras religiosidades, segundo o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves.

Pesquisador aposentado do IBGE, Alves publicou o estudo no #Colabora no dia 26. Ele cruzou o agregador de pesquisas do Laboratório de Antropologia da Religião (LAR), da Unicamp, com dados do TSE.

O agregador reúne levantamentos de 13 institutos, entre eles Datafolha, Quaest, AtlasIntel e Ideia. Na média, Lula liderava entre os católicos por 52% a 43% sobre Flávio Bolsonaro (PL).

Entre os sem religião, a vantagem do petista era maior: 55% a 35%. No grupo de outras religiosidades, ficou em 53% a 39%. Os evangélicos foram o único segmento em que Flávio liderou, com 60% contra 29%.

Segundo Alves, o perfil médio das amostras tinha cerca de 50% de católicos, 30% de evangélicos, 12% de eleitores sem religião e 8% de fiéis de outras religiões.

Com esses percentuais aplicados aos 124,1 milhões de votos válidos, o demógrafo estimou 63,4 milhões de votos para Flávio e 60,7 milhões para Lula, vantagem de cerca de 2,7 milhões para o candidato do PL.

Pela conta, Lula abriria cerca de 5,9 milhões de votos entre católicos, 3,3 milhões entre os sem religião e 1,5 milhão nas outras religiões. Flávio teria cerca de 13 milhões a mais entre evangélicos.

As urnas mostraram outro resultado. Lula recebeu 64,3 milhões de votos (51,79% dos válidos), e Flávio, 59,8 milhões (48,21%). A diferença foi de cerca de 4,5 milhões de votos a favor do petista.

O comparecimento subiu de 125,3 milhões de eleitores no primeiro turno para 128,2 milhões no segundo, e a abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, de acordo com os dados do TSE citados pelo autor.

Alves associa parte desse aumento à maior participação de jovens, nordestinos e idosos, grupos em que católicos e eleitores sem religião têm peso relevante.

Para o demógrafo, o desempenho real de Lula nos segmentos religiosos superou o que as pesquisas projetavam. Ele ressalva que a religião interage com classe, geração e região e não determina o voto sozinha.

O padrão repete o de 2022, quando Jair Bolsonaro (PL) consolidou o alinhamento evangélico. Naquele ano, Alves concluiu que o eleitorado sem religião foi o fiel da balança da vitória de Lula.

O autor afirma que a confirmação da hipótese depende de resultados eleitorais desagregados por religião, que ainda não estão disponíveis.

Com informações de José Eustáquio Diniz Alves (#Colabora), Laboratório de Antropologia da Religião (LAR/Unicamp), TSE, Instituto Humanitas Unisinos (IHU) e com outras fontes.



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