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Papa Leão XIV vai ao Uruguai, o pais mais secularizado da América Latina

Uruguai se prepara para receber o papa Leão XIV em um país cuja separação entre Igreja e Estado começou entre o fim do século XIX e o início do século XX. A visita, prevista para 6 a 8 de novembro de 2026, passa por Montevidéu, Paysandú e Florida e é a primeira de um pontífice ao território uruguaio em 38 anos


Leão XIV está com as malas prontas para visitar o Uruguai, a primeira visita de um papa ao país desde 1987, quando lá esteve João Paulo II

A data da visita do papa ao Uruguai coincide com a festa da padroeira Nossa Senhora dos Trinta e Três, figura profundamente enraizada na espiritualidade e na história da república mais laica da região.


Oficialmente
não existem
feriados ou
símbolos
religiosos em
instituições
públicas


No Uruguai, o processo de separação entre Igreja e Estado começou cedo, desenvolvendo-se entre o fim do século XIX e o início do século XX. 

Os presidentes do país não fazem juramento sobre a Bíblia, não há capelães nas Forças Armadas, a Semana Santa é chamada de Semana do Turismo e o Natal é o Dia da Família.

Mas, na expectativa da chegada do papa, Igreja e Estado estão trabalhando lado a lado e com "grande expectativa" para recebê-lo e oferecer a melhor experiência possível, disse o arcebispo de Montevidéu, cardeal Daniel Sturla, na conferência Visita do Papa Leão XIV à América do Sul, organizada pela Ajuda à Igreja que Sofre.

Num continente com forte presença católica, disse o cardeal, "o Uruguai é a exceção, um país que viveu uma secularização muito forte por mais de 100 anos".

Citando dados da pesquisa mais recente Sturla disse que "só 33% dos uruguaios se identificam como católicos, 28% acreditam em Deus, mas não pertencem a uma igreja ou religião específica, 11% pertencem a outras religiões e 28% são agnósticos ou ateus".

Esses números "marcam uma diferença em comparação com o resto da América Latina", disse ele.

Mas o cardeal descreveu o Uruguai como "uma sociedade pluralista e democrática", com 3,5 milhões de habitantes, dos quais cerca de metade vive na capital, Montevidéu.

No Uruguai, "a Igreja tem liberdade de ação", disse ele. "Embora muitas vezes tenha sido marginalizada, há grande expectativa, e o próprio presidente do Uruguai foi a Roma e também estendeu um convite ao papa Leão XIV para nos visitar", disse.

"Gosto de dizer que, neste contexto, a Igreja no Uruguai rema e rema. É uma Igreja que eu descrevo como pobre e livre, pequena e bela", disse.

No Uruguai, "ser padre não é — digamos — uma premiação, não é algo a que se aspirar, mas sim um serviço prestado com muita simplicidade e não necessariamente por ser uma figura de prestígio por ser padre, mas pelo modo como o padre vive a sua vida e pela sua dedicação", disse ele.

"Aguardamos o papa com grande carinho e também trabalhando, como já disse, em conjunto com o Estado", disse, já que a visita "terá uma parte civil e será sobretudo uma visita pastoral".

Um dos aspectos que o arcebispo considera mais belos da visita é que "o papa vai visitar um bairro muito carente e muito pobre de Montevidéu, que é o bairro com a maior densidade de presença da Igreja Católica em todo o país", disse ele, referindo-se ao bairro de Borro, em Casavalle.

"Ali, na paróquia que o papa visitará [Nossa Senhora de Guadalupe], a poucos quarteirões, a algumas centenas de metros, existem cerca de vinte obras católicas, inclusive paróquias, capelas, mas sobretudo, programas sociais que abordam habitação, educação, assistência aos idosos e formação profissional", disse. "Em outras palavras, existe uma realidade muito presente e muito vibrante".

No Uruguai, concluiu o cardeal Sturla, "existe uma expectativa que vai além dos 33% de católicos. Há pesquisas que indicam que 60% dos uruguaios estão muito esperançosos com a vinda do papa e quase não há oposição à sua visita; pelo contrário, existe o desejo de recebê-lo da melhor maneira possível".

A visita papal ao Uruguai está programada para ocorrer entre 6 e 8 de novembro de 2026, marcando a primeira etapa de uma viagem apostólica pela América do Sul que inclui também a Argentina e o Peru. Trata-se da primeira ida de um pontífice ao território uruguaio em 38 anos, desde a passagem de João Paulo II em 1988. O itinerário abrange as cidades de Montevidéu, Paysandú e Florida.

O propósito da visita articula dimensões pastorais, históricas e sociais em um contexto nacional singular:

Diálogo com uma sociedade secularizada: Por ser o país com a mais consolidada tradição laica da América Latina, o objetivo principal é encorajar a comunidade católica local — frequentemente descrita pela liderança eclesial como minoritária e humilde — a manter uma presença construtiva, propondo o Evangelho por meio do testemunho, do respeito e da abertura à reflexão humanística e cidadã.

Resgate da memória histórica e espiritual: A celebração no Santuário de Nossa Senhora dos Trinta e Três, em Florida, conecta o pontificado aos símbolos fundacionais do país. A imagem mariana acompanhou a proclamação da independência uruguaia em 1825, funcionando como ponto de encontro entre a história cívica e a fé tradicional.

Proximidade com as periferias e a juventude: O programa inclui encontros diretos com moradores de áreas de vulnerabilidade social (como o bairro Casavalle, na capital), intercâmbio com o meio educacional e universitário na Universidade Católica e uma vigília voltada aos jovens no Estádio Centenário.

Fortalecimento institucional e mensagens de esperança: Encontros com as autoridades governamentais e a sociedade civil para tratar de temas como coesão social, solidariedade regional e caminhos de escuta e acolhimento perante os desafios contemporâneos. Com informações de ACI Digital, cardeal Daniel Sturla (arcebispo de Montevidéu) e Ajuda à Igreja que Sofre e com outras fontes.



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