Relatório do Coaf revela que conta da Lagoinha administrada pelo cunhado de Daniel Vorcaro movimentou R$ 57,1 milhões em operações atípicas
Um relatório do Coaf apontou movimentação atípica de R$ 57,1 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha em Belvedere, bairro nobre de Belo Horizonte, administrada pelo cunhado de Daniel Vorcaro.
Um relatório do Coaf apontou movimentação atípica de R$ 57,1 milhões na conta da Igreja Batista da Lagoinha em Belvedere, bairro nobre de Belo Horizonte, administrada pelo cunhado de Daniel Vorcaro.
Representação da sede da Igreja Lagoinha |
O documento, enviado à Polícia Federal em fevereiro, foi tornado público em 10 de setembro, após a quebra do sigilo de procedimentos ligados ao caso do Banco Master.
Entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, a conta no Banco do Brasil registrou R$ 28.493.311 em créditos e R$ 28.617.002 em débitos, somando R$ 57.110.313 movimentados.
A unidade era administrada por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado por investigadores como operador financeiro da organização criminosa ligada a ele.
O Coaf classificou o volume como incompatível com o porte da igreja, cujo faturamento anual presumido é de R$ 950 mil — cerca de 30 vezes menor apenas que os créditos registrados.
Segundo o órgão, as operações, "por sua habitualidade, valor e forma", podem configurar artifício para dificultar a identificação da origem, do destino e dos responsáveis pelos recursos. Trata-se, em outras palavras, de lavagem de dinheiro.
O relatório mostra que Zettel realizou 26 lançamentos na conta da Lagoinha Belvedere, somando R$ 19,2 milhões em depósitos no período analisado.
Construtoras e incorporadoras concentraram parte relevante da saída de recursos, recebendo R$ 4,9 milhões da conta administrada por Zettel.
A proximidade entre os valores que entraram e saíram da conta é um dos elementos que sustentam a suspeita de que a igreja funcionou como "conta de passagem" para o operador de Vorcaro.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fez quatro depósitos na conta da igreja, somando R$ 120 mil, segundo o documento do Coaf.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante de uma milícia privada ligada a Vorcaro, fez 11 depósitos que totalizaram R$ 22 mil na mesma conta.
Zettel foi preso em março deste ano, na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes do Banco Master. Sua defesa informou que não vai se manifestar.
A unidade Belvedere, fechada em março, integrava a rede Lagoinha Global, presidida pelo pastor André Valadão, apresentada como conjunto de igrejas locais com autonomia financeira.
Em nota, a Lagoinha Global afirmou que foi informada, à época, de que os recursos financiariam reformas e melhorias nas dependências da unidade, visíveis no local.
A denominação disse desconhecer a dimensão dos valores movimentados e afirmou que a informação recebida era de que não se tratava de dízimos ou ofertas, mas de valores captados por Zettel.
A igreja afirmou ainda que afastou Zettel de suas funções pastorais assim que surgiram as primeiras informações públicas ligando o pastor ao caso Banco Master, e disse repudiar "qualquer prática ilícita".
O novo relatório amplia um histórico de revelações: em março, extratos ligados à CPI do INSS já mostravam 54 transferências de Zettel à Lagoinha Belvedere, somando R$ 40,9 milhões.
Cada nova apuração eleva o volume identificado, aprofundando a exposição da igreja no centro das investigações sobre o esquema que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master.
A Lagoinha já havia se manifestado sobre o caso em janeiro, quando afastou Zettel de funções ministeriais após sua detenção temporária na fase inicial da Operação Compliance Zero.
Apontado como um dos maiores doadores de campanhas de Jair Bolsonaro, Zettel também é citado em investigações da CPMI do INSS sobre descontos associativos irregulares.
Instituições religiosas no Brasil têm regime fiscal privilegiado, com isenção de impostos sobre dízimos, doações e patrimônio de culto, o que dificulta o rastreamento de recursos pelos órgãos de fiscalização.
A movimentação de dezenas de milhões de reais por uma conta de pequeno porte reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle financeiro aplicados a templos religiosos no país.
O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após fraudes que geraram ao Fundo Garantidor de Créditos um prejuízo recorde de R$ 41 bilhões.
Vorcaro está preso desde então e é alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraude contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos.
O padrão de bancos e igrejas evangélicas movimentando recursos sem transparência já apareceu em outro caso recente, o do Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo e à Igreja Universal.
Para pesquisadores do fenômeno neopentecostal, a opacidade financeira de estruturas religiosas dificulta a fiscalização exercida pelo Banco Central, pela Receita Federal e pelo próprio Coaf.
A Polícia Federal e o Coaf seguem apurando se a conta da Lagoinha Belvedere foi utilizada para ocultar a origem e o destino final de recursos ligados ao esquema atribuído a Daniel Vorcaro.
A unidade era administrada por Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e apontado por investigadores como operador financeiro da organização criminosa ligada a ele.
O Coaf classificou o volume como incompatível com o porte da igreja, cujo faturamento anual presumido é de R$ 950 mil — cerca de 30 vezes menor apenas que os créditos registrados.
Segundo o órgão, as operações, "por sua habitualidade, valor e forma", podem configurar artifício para dificultar a identificação da origem, do destino e dos responsáveis pelos recursos. Trata-se, em outras palavras, de lavagem de dinheiro.
O relatório mostra que Zettel realizou 26 lançamentos na conta da Lagoinha Belvedere, somando R$ 19,2 milhões em depósitos no período analisado.
Construtoras e incorporadoras concentraram parte relevante da saída de recursos, recebendo R$ 4,9 milhões da conta administrada por Zettel.
A proximidade entre os valores que entraram e saíram da conta é um dos elementos que sustentam a suspeita de que a igreja funcionou como "conta de passagem" para o operador de Vorcaro.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, fez quatro depósitos na conta da igreja, somando R$ 120 mil, segundo o documento do Coaf.
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como integrante de uma milícia privada ligada a Vorcaro, fez 11 depósitos que totalizaram R$ 22 mil na mesma conta.
Zettel foi preso em março deste ano, na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes do Banco Master. Sua defesa informou que não vai se manifestar.
A unidade Belvedere, fechada em março, integrava a rede Lagoinha Global, presidida pelo pastor André Valadão, apresentada como conjunto de igrejas locais com autonomia financeira.
Em nota, a Lagoinha Global afirmou que foi informada, à época, de que os recursos financiariam reformas e melhorias nas dependências da unidade, visíveis no local.
A denominação disse desconhecer a dimensão dos valores movimentados e afirmou que a informação recebida era de que não se tratava de dízimos ou ofertas, mas de valores captados por Zettel.
A igreja afirmou ainda que afastou Zettel de suas funções pastorais assim que surgiram as primeiras informações públicas ligando o pastor ao caso Banco Master, e disse repudiar "qualquer prática ilícita".
O novo relatório amplia um histórico de revelações: em março, extratos ligados à CPI do INSS já mostravam 54 transferências de Zettel à Lagoinha Belvedere, somando R$ 40,9 milhões.
Cada nova apuração eleva o volume identificado, aprofundando a exposição da igreja no centro das investigações sobre o esquema que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master.
A Lagoinha já havia se manifestado sobre o caso em janeiro, quando afastou Zettel de funções ministeriais após sua detenção temporária na fase inicial da Operação Compliance Zero.
Apontado como um dos maiores doadores de campanhas de Jair Bolsonaro, Zettel também é citado em investigações da CPMI do INSS sobre descontos associativos irregulares.
Instituições religiosas no Brasil têm regime fiscal privilegiado, com isenção de impostos sobre dízimos, doações e patrimônio de culto, o que dificulta o rastreamento de recursos pelos órgãos de fiscalização.
A movimentação de dezenas de milhões de reais por uma conta de pequeno porte reacende o debate sobre a fragilidade dos mecanismos de controle financeiro aplicados a templos religiosos no país.
O Banco Master teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, após fraudes que geraram ao Fundo Garantidor de Créditos um prejuízo recorde de R$ 41 bilhões.
Vorcaro está preso desde então e é alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraude contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos.
O padrão de bancos e igrejas evangélicas movimentando recursos sem transparência já apareceu em outro caso recente, o do Banco Digimais, ligado ao bispo Edir Macedo e à Igreja Universal.
Para pesquisadores do fenômeno neopentecostal, a opacidade financeira de estruturas religiosas dificulta a fiscalização exercida pelo Banco Central, pela Receita Federal e pelo próprio Coaf.
A Polícia Federal e o Coaf seguem apurando se a conta da Lagoinha Belvedere foi utilizada para ocultar a origem e o destino final de recursos ligados ao esquema atribuído a Daniel Vorcaro.
Com informações de Folha de S.Paulo e com outras fontes.
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