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Freira abusada por Rupnik cobra Santuário de Fátima: 'por que não os cobrir mosaicos?'

Fabrizia Raguso, ex-freira que diz ter sido abusada psicologicamente pelo padre esloveno, vive em Braga, e não compreende por que o Santuário de Fátima recusa repetir o gesto do santuário francês, que vai cobrir definitivamente os painéis do artista


A ex-freira italiana Fabrizia Raguso, hoje professora universitária em Braga, Portugal, não entende por que a Igreja Católica portuguesa resiste a fazer o que a Igreja francesa acabou de decidir: cobrir de forma permanente os mosaicos do padre esloveno Marko Rupnik, réu num processo canónico no Vaticano por abuso sexual e psicológico contra dezenas de mulheres, muitas delas freiras.


Em julho de
2026 Vaticano
desmentiu
rumores de
blogues
católicos
italianos de
que o padre
já teria sido
absolvido


O bispo de Tarbes e Lourdes, Jean-Marc Micas, confirmou à revista francesa Paris Match que os painéis na fachada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário serão tapados antes da chegada do Papa Leão XIV a Lourdes, no fim de setembro, e continuarão cobertos depois da visita — encerrando um processo iniciado em 2023 (Paris Match).

No Brasil, no Santuário de Aparecida, encontram-se as mais representativas obras o padre acusado de estupro, mas a Igreja do Brasil, ao exemplo da de Portugal, não encara os painéis como muro da vergonha. 

Questionado diretamente pelo jornal Observador sobre se pretendia seguir o exemplo francês, o Santuário de Fátima respondeu que "repudia liminarmente" os atos de Rupnik e já suspendeu o uso de imagens do painel em material de divulgação — mas garantiu que não está a ponderar removê-lo nem cobri-lo. 

A obra, um mosaico dourado de dez metros de altura por cinquenta de largura, domina o presbitério da Basílica da Santíssima Trindade desde 2007 (Observador).

É esse contraste que Raguso não compreende. Ex-integrante da Comunidade Loyola, na Eslovénia, onde conheceu Rupnik em 1990 e diz ter sofrido abuso espiritual da parte dele, Raguso foi a primeira signatária, com nome próprio, da carta aberta de vítimas divulgada em 2025.

Recentemente ela voltou à imprensa internacional para revelar a existência de 22 cartas de 2000, nas quais freiras teriam sido forçadas pela então superiora da comunidade a perdoar por escrito os abusos de Rupnik, em nome do Jubileu (OSV News).

Para Raguso, a manutenção do painel em Fátima, tal como noutros santuários espalhados por cerca de 200 igrejas no mundo, prolonga o desconforto imposto às vítimas: peregrinos que buscam consolação continuam a topar com a assinatura visual de um acusado de violação. 

Foi esse mesmo argumento que levou o bispo de Lourdes a agir — ele próprio disse ter mudado de posição depois de ser interpelado pessoalmente por uma vítima de violência sexual sobre os mosaicos na fachada da basílica francesa.

O processo canónico contra Rupnik segue sem decisão pública desde que o Papa Francisco autorizou, em 2023, a suspensão da prescrição para permitir a investigação do Dicastério para a Doutrina da Fé. 

A advogada de várias vítimas, Laura Sgrò, acusa Roma de manter as denunciantes "sem qualquer notificação" sobre o andamento do caso havia mais de trinta anos desde as primeiras queixas (Observador).

O episódio é mais um retrato da lógica institucional da Igreja diante de escândalos de abuso: gestos concretos só avançam sob pressão de agenda — no caso de Lourdes, a proximidade de uma visita papal amplamente fotografada — e recuam onde essa pressão ainda não existe, como em Fátima, que também aguarda confirmação de visita de Leão XIV em 2027.

Mais informações sobre o caso do padre  Rupnik, incluindo a investigação sobre o santuário de Aparecida, no Brasil, em Paulopes (https://cse.google.com/cse?cx=5766e1dab8d12457b)

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