Bispo de Lourdes decide cobrir em definitivo obras de Rupnik, que é acusado de violenta dezenas de mulheres; Aparecida silencia
O Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Lourdes (França), vai cobrir em definitivo todos os mosaicos do padre Marko Rupnik, artista e teólogo acusado de abuso sexual, psicológico e espiritual.
A decisão é do bispo local Jean-Marc Micas. Antes, a cobertura estava prevista apenas para a visita do papa Leão 14. Agora passa a valer de forma permanente.
Entre 2023 e 2024, Micas convocou uma comissão multidisciplinar — com vítimas de abusos incluídas — para avaliar o que fazer com as obras do sacerdote no santuário.
O bispo concluiu que o fato de o acusado e as vítimas estarem vivos distingue o caso dos análogos ocorridos há séculos. "As pessoas feridas que precisam de consolo devem manter o primeiro lugar", escreveu.
O santuário havia deixado de iluminar os mosaicos nas procissões noturnas em 2024. Em 2025, os painéis sobre a entrada da Basílica foram cobertos pela primeira vez.
A visita papal serviu de pretexto para ir além. "Os mosaicos permanecerão cobertos após a peregrinação do Santo Padre", disse Micas ao jornal La Dépêche.
Uma nova comissão, ampliada com artistas e teólogos, vai refletir sobre o futuro da fachada da Basílica.
O caso remonta à década de 1990. Rupnik dirigia uma comunidade religiosa em Liubliana, capital da Eslovênia, dissolvida pela própria Igreja local.
Em 2020, a Companhia de Jesus o excomungou por absolver em confissão uma mulher com quem mantinha relações sexuais. A punição foi revogada no mesmo mês.
Em fevereiro de 2024, a ex-freira Gloria Branciani relatou em coletiva em Roma ter sofrido anos de abusos sexuais e psicológicos. Rupnik usava a fé para calar as vítimas.
Outra ex-integrante da mesma comunidade, Mirjam Kovač, disse ter falado para romper o que chamou de muro de silêncio das autoridades da Igreja.
O maior mosaico de Rupnik no mundo está no Brasil. A Basílica de Aparecida, em Aparecida (SP), exibe na fachada norte uma obra de quatro mil metros quadrados, inaugurada em março de 2022.
As pedras são do Brasil, França, Itália, Grécia e Afeganistão. O próprio Rupnik esteve presente na cerimônia de inauguração.
O Santuário Nacional suspendeu posteriormente a instalação de novos mosaicos, mas não removeu nem cobriu os já existentes. Nenhuma comissão foi formada, nenhuma vítima foi ouvida oficialmente.
A CNBB não emitiu nota sobre o caso. O site do santuário exibe apenas fotos distantes da fachada, sem mostrar os traços característicos do artista — o que sugere desconforto institucional.
O Santuário de Nossa Senhora do Rosário, em Lourdes (França), vai cobrir em definitivo todos os mosaicos do padre Marko Rupnik, artista e teólogo acusado de abuso sexual, psicológico e espiritual.
A decisão é do bispo local Jean-Marc Micas. Antes, a cobertura estava prevista apenas para a visita do papa Leão 14. Agora passa a valer de forma permanente.
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Santuário de Lurdes está sendo encoberto |
Entre 2023 e 2024, Micas convocou uma comissão multidisciplinar — com vítimas de abusos incluídas — para avaliar o que fazer com as obras do sacerdote no santuário.
O bispo concluiu que o fato de o acusado e as vítimas estarem vivos distingue o caso dos análogos ocorridos há séculos. "As pessoas feridas que precisam de consolo devem manter o primeiro lugar", escreveu.
O santuário havia deixado de iluminar os mosaicos nas procissões noturnas em 2024. Em 2025, os painéis sobre a entrada da Basílica foram cobertos pela primeira vez.
A visita papal serviu de pretexto para ir além. "Os mosaicos permanecerão cobertos após a peregrinação do Santo Padre", disse Micas ao jornal La Dépêche.
Uma nova comissão, ampliada com artistas e teólogos, vai refletir sobre o futuro da fachada da Basílica.
O caso remonta à década de 1990. Rupnik dirigia uma comunidade religiosa em Liubliana, capital da Eslovênia, dissolvida pela própria Igreja local.
Em 2020, a Companhia de Jesus o excomungou por absolver em confissão uma mulher com quem mantinha relações sexuais. A punição foi revogada no mesmo mês.
Em fevereiro de 2024, a ex-freira Gloria Branciani relatou em coletiva em Roma ter sofrido anos de abusos sexuais e psicológicos. Rupnik usava a fé para calar as vítimas.
Outra ex-integrante da mesma comunidade, Mirjam Kovač, disse ter falado para romper o que chamou de muro de silêncio das autoridades da Igreja.
O maior mosaico de Rupnik no mundo está no Brasil. A Basílica de Aparecida, em Aparecida (SP), exibe na fachada norte uma obra de quatro mil metros quadrados, inaugurada em março de 2022.
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Santuário de Aparecida é o maior mostruário do padre Marko Rupnik |
As pedras são do Brasil, França, Itália, Grécia e Afeganistão. O próprio Rupnik esteve presente na cerimônia de inauguração.
O Santuário Nacional suspendeu posteriormente a instalação de novos mosaicos, mas não removeu nem cobriu os já existentes. Nenhuma comissão foi formada, nenhuma vítima foi ouvida oficialmente.
A CNBB não emitiu nota sobre o caso. O site do santuário exibe apenas fotos distantes da fachada, sem mostrar os traços característicos do artista — o que sugere desconforto institucional.


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