O líder nazista era fascinado por medicina alternativa, ocultismo e pseudociência
Edzard Ernst
professor emérito da Escola de Medicina da Península, na Universidade de Exeter, Inglaterra
professor
Edzard Ernst
professor emérito da Escola de Medicina da Península, na Universidade de Exeter, Inglaterra
professor
O programa de esterilização nazista visava impedir que alemães considerados geneticamente inferiores se reproduzissem. É um programa bem conhecido, e dezenas de livros foram publicados sobre ele. Em contraste, o " Projeto Lírio-leopardo " foi quase esquecido. Embora também tivesse como objetivo esterilizar grandes grupos de pessoas, seu propósito geral era muito diferente.
O projeto remonta a um dermatologista austríaco chamado Dr. Adolf Pokorny. Pokorny havia se deparado com um artigo científico que detalhava um experimento com animais envolvendo a Dieffenbachia seguine (comumente conhecida como lírio-leopardo ou "comigo-ninguém-pode").
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Planta é nativa de climas tropicais |
O projeto remonta a um dermatologista austríaco chamado Dr. Adolf Pokorny. Pokorny havia se deparado com um artigo científico que detalhava um experimento com animais envolvendo a Dieffenbachia seguine (comumente conhecida como lírio-leopardo ou "comigo-ninguém-pode").
O suco dessa planta tropical podia ser administrado secretamente a vítimas sem o seu consentimento e acreditava-se que causava esterilidade permanente sem afetar a capacidade de trabalho.
Pokorny reconheceu o potencial sombrio dessa propriedade botânica. Em sua carta a Himmler, ele propôs explicitamente o uso do lírio-leopardo para esterilizar secretamente “três milhões de bolcheviques” e outras populações da Europa Oriental.
Pokorny reconheceu o potencial sombrio dessa propriedade botânica. Em sua carta a Himmler, ele propôs explicitamente o uso do lírio-leopardo para esterilizar secretamente “três milhões de bolcheviques” e outras populações da Europa Oriental.
A visão de Pokorny era calculada e implacável: tornando os habitantes dos territórios ocupados inférteis, o Terceiro Reich poderia explorá-los como mão de obra escrava por uma única geração. Assim que essa geração envelhecesse e morresse, a população se extinguiria naturalmente, deixando a terra livre para a colonização alemã.
A principal razão pela qual essa teoria botânica não comprovada foi levada a sério nos mais altos escalões do comando nazista reside nas obsessões peculiares de Heinrich Himmler.
A principal razão pela qual essa teoria botânica não comprovada foi levada a sério nos mais altos escalões do comando nazista reside nas obsessões peculiares de Heinrich Himmler.
O líder da SS era profundamente fascinado por medicina alternativa, ocultismo e pseudociência. Ele nutria uma intensa desconfiança pela medicina acadêmica convencional e promovia ativamente remédios naturais à base de ervas.
Cativado pela carta de Pokorny, Himmler ignorou os canais científicos convencionais e rigorosos, designando burocratas e médicos de alto escalão da SS para acelerar o cultivo da planta e iniciar experimentos médicos.
Cativado pela carta de Pokorny, Himmler ignorou os canais científicos convencionais e rigorosos, designando burocratas e médicos de alto escalão da SS para acelerar o cultivo da planta e iniciar experimentos médicos.
No entanto, para operacionalizar o projeto, a SS enfrentou um obstáculo imediato: o lírio-leopardo é nativo de climas tropicais, e Himmler não possuía quantidade suficiente da planta para extrair toxinas em larga escala.
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Enormes estufas especializadas foram encomendadas, e houve esforço para cultivar a planta em condições controladas na Alemanha |
Enormes estufas especializadas foram encomendadas, e esforços foram feitos para cultivar a planta em condições controladas na Alemanha.
O projeto fracassou devido às suas próprias falhas científicas e às mudanças no curso da Segunda Guerra Mundial.
A planta não pôde ser cultivada em quantidades suficientes para realizar o sonho genocida de Himmler.
Após o colapso do Terceiro Reich, os detalhes do projeto vieram à tona durante o Julgamento dos Médicos de Nuremberg (1946-1947).
Após o colapso do Terceiro Reich, os detalhes do projeto vieram à tona durante o Julgamento dos Médicos de Nuremberg (1946-1947).
O Dr. Adolf Pokorny foi colocado no banco dos réus ao lado de proeminentes criminosos de guerra nazistas da área médica. Pokorny foi um dos poucos a ser absolvido pelo tribunal. O que aconteceu com ele depois disso permanece um mistério.
O último parágrafo do meu novo livro diz o seguinte: “A história do projeto Lírio-leopardo pode servir como um lembrete dos perigos causados por alianças profanas entre pseudociência, ideologia, imoralidade e poder político. Esses perigos não terminaram com o Terceiro Reich. Se o livro puder contribuir para reduzir os riscos de recorrências futuras, terá valido a pena o esforço de escrevê-lo.”
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Capa do livro de Edzard Ernst, sem tradução para o português |
O último parágrafo do meu novo livro diz o seguinte: “A história do projeto Lírio-leopardo pode servir como um lembrete dos perigos causados por alianças profanas entre pseudociência, ideologia, imoralidade e poder político. Esses perigos não terminaram com o Terceiro Reich. Se o livro puder contribuir para reduzir os riscos de recorrências futuras, terá valido a pena o esforço de escrevê-lo.”


