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Brasileiro refaz na Patagônia jornada de Darwin que demoliu o criacionismo

Brasileiro segue, quase 200 anos depois, os passos do naturalista cuja teoria da evolução derrubou a versão divina de criação das espécies.


Explorador brasileiro refaz jornada de Darwin na Patagônia e transforma travessia em livro. Marcio Pimenta abandonou a carreira de economista, virou fotógrafo da National Geographic e refez sozinho 11 mil quilômetros da expedição que Charles Darwin fez na Patagônia entre 1832 e 1835.

O brasileiro percorreu de jipe desertos, costas, mares e geleiras seguindo os passos do naturalista britânico cujos diários derrubaram, décadas depois, a versão bíblica de criação divina das espécies.

O resultado virou o livro "Encontrando Darwin — Uma expedição pelos confins do mundo", publicado pela editora Solisluna com apoio da National Geographic Society, que financiou a travessia em 2023.

Foi a primeira vez que alguém revisitou e documentou de maneira contínua aquele roteiro, quase duzentos anos depois das observações que mudariam para sempre o entendimento científico da vida.

Pimenta diz que o que mais o impressionou nos diários do Beagle foi a postura intelectual do jovem naturalista, oposta à de quem hoje trata opinião como fé e divergência como motivo de conflito.

"A gente vive em um mundo de muitas certezas, todo mundo tem certeza de tudo. E qualquer diferença de pensamento leva à guerra. Darwin, ao contrário, tinha muitas dúvidas", afirmou o explorador.


O economista
Marcio
Pimenta
percorreu
11 mil
quilômetros

Essa dúvida metódica foi exatamente o que permitiu ao britânico observar tentilhões e tartarugas em Galápagos e concluir que espécies semelhantes descendiam de um ancestral comum por seleção natural.

O cientista publicou "A Origem das Espécies" em 1859, demolindo a tese de que o ser humano teria sido moldado por um criador e mostrando que somos apenas mamíferos eretos descendentes de primatas.

Segundo o portal Paulopes, o livro detonou a chamada ordem mundial divina ao demonstrar, por evidências geológicas e biológicas, que as espécies surgem e desaparecem por tentativa e erro contínuo.

O portal também registra que a passagem de Darwin pelo Brasil em 1832 foi decisiva: o contato com a Mata Atlântica entre Niterói e Maricá despertou as primeiras intuições da teoria da evolução.

O britânico relatou em diário a beleza incomparável da floresta tropical e, ao mesmo tempo, o horror diante da escravidão que viu de perto, postura ética que muitos crentes da época não tinham.

Pimenta tira da experiência uma lição que dialoga com o método científico: permitir-se a dúvida, permanecer observando o objeto e compartilhar o conhecimento sem pressa nem busca por holofote.

O livro chega às livrarias em um momento em que negacionismo religioso e charlatanismo voltam a disputar espaço com a ciência, lembrando que a curiosidade laica segue sendo o melhor antídoto contra dogmas.

Leia também: Darwin detonou a 'ordem mundial divina' em 1859 com o livro 'Origem das Espécies'

Fontes: Veja | Terra | Paulopes — A Origem das Espécies | Paulopes — Darwin no Brasil

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