'Herdeiro de Darwin' defendia o combate à fé religiosa para salvar a humanidade

Para E.O, Wilson, o tribalismo das religiões está destruindo o planeta

Chamado de "herdeiro natural de Darwin", o biólogo evolucionista E.O. Wilson (1929-2021) dizia que a fé religiosa é o grande obstáculo para o progresso humano por desprezar o mundo natural, com o agravante de que cada tribo se acha detedora da verdade, sendo, portanto, inconciliável com a crenças de outros grupos.

“Todas as ideologias e religiões têm suas próprias respostas para as grandes questões, mas geralmente elas são vinculadas como dogmas a algum tipo de tribo”, disse ele em uma entrevista.

Explicava que as religiões, em particular, têm elementos sobrenaturais que só valem para determinadas tribos e, consequentemente, rejeitados pelas outras tribos.

"O que nos faz afundar é a fé religiosa.”

“A busca transcendente foi sequestrada por religiões tribais, portanto eu diria que, em prol do progresso humano, o melhor que poderíamos fazer seria diminuir, a ponto de eliminar as crenças religiosas.”

Wilson detesta a ideia
de pertencer a uma tribo 

Wilson foi pioneiro na pesquisa do comportamento dos insetos, especializando-se em formigas, para as quais foi atraído quando ainda estava no colégio. A partir da seleção natural, demonstrou que a interação em uma colônia de formigas é extremamente complexa e que ela ocorre por um sistema de feromônios.

Em uma época em a pesquisa da flora e a fauna era associada a hobby, ele foi um dos primeiros a descobrir que a biodiversidade é fundamental para a preservação do planeta. Recorreu à matemática para reforçar seus argumentos em defesa da preservação dos diferentes ecossistemas. Era tido como "pai da sociobiologia".

O seu pessimismo em relação ao comportamento religioso tribal não o impedia de reivindicar um ação rápida para impedir a extinção da maioria das espécie da Terra.

Wilson nasceu em uma família batista, mas já no seu batismo percebeu que o mundo espiritual não lhe fazia qualquer sentido. Manteve os pés no chão, no mundo natural, os “animais e plantas com os quais eu poderia contar”, de acordo com o livro de memória "Naturalista" que publicou em 1994.

“Descobri que o que eu mais amava no planeta, que era a vida no planeta, fazia sentido apenas em termos de evolução e a ideia de seleção natural”, concluindo, depois, que "a biologia evolutiva sempre produz padrões se você olhar com atenção”.

O biólogo não acreditava em deuses, mas ele não se assumia como ateu porque, se o fizesse, se colocaria como membro de uma tribo, o que, para ele, sem implica a existência de crença.

"O ateísmo é a crença de que não existe deus, e você declara que não existe deus: “Venham, meus companheiros ateus, vamos marchar juntos e conquistar aqueles idiotas que pensam que existe um deus - todas essas outras tribos. Nós vamos prevalecer.”

"Eu diria até que sou agnóstico porque sou um cientista. Ser agnóstico significa dizer, dogmaticamente, que nunca seremos capazes de saber, então desista. O importante é que parece que os humanos, como espécie, compartilham um impulso religioso." 

"Você pode chamá-lo de teológico, você pode chamá-lo de espiritual, mas os humanos em todos os lugares têm uma forte tendência de se perguntar se estão sendo olhados por um deus ou não. Praticamente todas as pessoas ponderam se terão outra vida. Essas são as coisas que [infelizmente] unem a humanidade."

> Com informação do New York Times e outras fontes.

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