Sou do Paraná, tenho 40 anos e fui vítima de abuso de João de Deus

“Fui seis vezes a Abadiânia. A primeira em 2015, a última este ano. Fiquei muito animada porque estava conseguindo obter resultados positivos em vários aspectos relacionados a uma doença crônica, com a qual convivo há muitos anos. E este foi o principal motivo pelo qual fui à Abadiânia: visitar a Casa Dom Inácio de Loyola, através do médium João de Deus.

Depois dos atendimentos naquela manhã, eu entrei na fila para falar com o médium João em uma sala onde são realizados os atendimentos individuais. Ele pediu insistentemente para eu ser a última do atendimento, na fila. Quando entrei, ele trancou a porta e me perguntou se preferia a luz acesa ou apagada. Falei que não sabia o que era melhor. Ele insistiu e eu, por fim, disse que preferia acesa.

"Senti algo encostar
 em minha mão:
 era o pênis dele"

Naquele momento comecei a relatar várias situações da minha vida, conforme ele ia perguntando e a conversa prosseguia.

Ele me pediu para ficar de pé e passar a mão na minha barriga. Depois, pediu que eu virasse de costas. Na sequência, que eu passasse a mão na barriga dele, que estava sentado numa poltrona e pedia constantemente que eu ficasse com os olhos fechados. E começou a falar como deveria passar a mão. Às vezes eu abria os olhos e ele pedia para eu fechá-los. Pedia para respirar fundo e contar até nove.

Enquanto isso, ia me perguntando quantas vezes eu tinha ido à Casa, se eu estava sozinha, quando eu ia embora da cidade, se seria a última vez que aquela situação aconteceria. Eu não entendia a intenção dos questionamentos.

Uma hora eu abri os olhos rapidamente, insegura, e percebi que a camisa dele estava meio aberta. Ele foi guiando a minha mão e, de repente, senti algo encostar na parte de baixo da minha mão: era o pênis dele. Eu tirei a mão, me assustei. A última coisa que você quer acreditar é que um líder espiritual está te abusando.

Então ele disse: 'eu sei muito bem o que estou fazendo e que isso seria considerado assédio, eu não sou louco'. Dizia que estava me livrando das energias negativas, me tirando da solidão. Em um determinado momento, disse que não era mais a entidade ali, que era o homem.


Colocou a mão por dentro da minha blusa e tocou rapidamente debaixo dos meus seios. Quando eu abri os olhos, ele estava com o pênis parcialmente para fora. Fiquei extremamente assustada, tensa e enojada. Meu coração batia acelerado. Depois de tudo, me disse: 'Não conte para ninguém o que aconteceu. Não conte para ninguém que eu te ajudei'.

Após, disse que ia me dar um presente. Me deu um livro e pediu a algumas pessoas, que estavam do lado de fora da sala, para que dessem depoimentos para mim de como a vida delas havia melhorado. Naquela manhã me denominou 'Filha da Casa'.

Saí em choque, atordoada. Como estava sozinha, não sabia para quem contar. Minha ficha foi caindo aos poucos. Fui conversar com um conhecido que era terapeuta, que também estava em Abadiânia naquele período. Ele que me falou que eu tinha sofrido abuso sexual. Ele sabia de outros casos. Depois entrei em contato com outras mulheres e descobri que havia inúmeras histórias. Nunca mais voltei e levei tempo para me recuperar da dor e da decepção.”

Relato concedido ao "O Globo".



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