Bolsonaro e assessores agem como fundamentalistas religiosos, diz Hatoum

por Milton Hatoum
escritor

Antes da fala, o eleito e seus assessores, orando de mãos dadas e olhos fechados, pareciam membros de uma seita religiosa fundamentalista, e não dirigentes políticos de um Estado laico.

O discurso, de uma vulgaridade gritante (na forma e no conteúdo), antecipa um estilo de governar.

Não menos vulgares são os assessores e bajuladores que cercam o capitão.

Ao ver e ouvir as cenas patéticas da reza e da fala, me lembrei das frases de um conto de Tchekhov*:

“Estou cercado de vulgaridades por todos os lados […] Gente enfadonha, vazia… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão vou ficar louco!”

Mas não é preciso fugir. Vou ficar aqui, lendo, escrevendo, dando palestras sobre literatura, questionando democraticamente essa figura sinistra e o que ela representa.


Esse texto foi publicado originalmente no Facebook. 



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Comentários

  1. Acho de uma pobreza incrível essa coisa de ficar fazendo policiamento com relação à fé alheia. Basta saber que um dos princípios básicos da nossa Constituição Federal de 1988 é exatamente a LIBERDADE DE CRENÇA (Art. 5o, VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias). Ademais, se eu fosse ateu, eu teria coisa muito mais útil e proveitosa a me preocupar do que se meu semelhante tem fé em algo ou não.

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    1. Cara o seu comentário é sem pé nem cabeça.
      Esta sendo discutida a laicidade do estado brasileiro. Vc sabe o que é isso ?
      O que vc colocou se refere ao direito do cidadão comum.
      Veja esse comentário do professor Villa: https://www.youtube.com/watch?v=wASTtugTbXA

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