Naturalista alemão se fixou em Blumenau em 1852 após se recusar a jurar por Deus


Müller foi pioneiro
 no Brasil no estudo da
teoria da seleção
natural das espécies

O estudante de medicina Fritz Müller escreveu no dia 21 de outubro de 1848 uma carta à direção da Universidade de Greifswald, Alemanha, indagando se ele poderia ser dispensado de prestar juramento a Deus na cerimônia de formatura.

Como a universidade respondeu que não poderia abrir exceção, Fritz, um ateu convicto, concluiu o curso, mas não apareceu para receber o diploma.

O episódio foi um dos motivos que fizeram Müller a emigrar em 1852 para Blumenau com sua mulher, uma filha de nove meses e um irmão. Ali morou por 45 anos em uma colônia de alemães.

A historiadora Ana Maria Moraes encontrou em Greifswald a referida carta de Fritz e conseguiu que a universidade a doasse para o Arquivo Histórico de Blumenau.

Filho de um pastor protestante, Johann Friedrich Theodor Müller nasceu no dia 31 de março de 1822 na aldeia de Windischholzhausen, perto da cidade de Erfurt, Alemanha, e morreu em 21 de maio de 1897 em Blumenau.

Além de medicina, ele estudou de 1841 a 1844 matemática, história natural e filosofia na Universidade de Berlim.

Em Santa Catarina, Müller deu aula de matemática e ciência naturais e se aprofundou na teoria da evolução das espécies, de Charles Darwin.

Ele foi pioneiro no Brasil na divulgação da evolução.


Em 1864, portanto somente cinco após a publicação da revolucionária teoria do naturalista inglês, Müller escreveu Für Darwin ("Para Darwin").

No livro, o alemão apresentou observações que fez sobre crustáceos em Santa Catarina, reforçando a teoria da seleção das espécies.

Müller foi o primeiro cientista a apresentar modelos matemáticos extraídos da seleção natural. Publicou na Europa 248 artigos sobre a flora e fauna catarinense.

Müller e Darwin trocaram correspondência sobre a teoria da evolução.

Darwin escreveu pelo menos 39 cartas ao alemão, a quem ele chamava de “o príncipe dos observadores”.

O naturalista inglês, por exemplo, escreveu: “O senhor fez um admirável serviço pela causa em que ambos acreditamos. Muitos de seus argumentos me parecem excelentes, e muitos de seus fatos, maravilhosos.... Vejo a publicação de seu ensaio como uma das maiores honras que jamais me foram conferidas”.

A historiadora Ana Maria afirma não haver estudos sobre a argumentação de Müller para se declarar abertamente ateu, o que era incomum no século 19, exigindo coragem.

Com informações do site "O Município de Blumenau", da reportagem "Parceiro de Charles Darwin", Wikipédia e outras fontes e foto do Arquivo Histórico de Blumenau.


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