'Época' mostra bastidores do site de fake news Gospel Prime


 Pinóquio gospel
obtém por mês
até R$ 20 mil

A edição 1034 da revista "Época" informa que o "Gospel Prime", cujo slogan é “o cristão bem informado”, está entre os principais sites brasileiros de fake news

A técnica do site é distorcer informações verdadeiras com mentiras.

Um exemplo é a notícia da liberação de recursos do governo brasileiro para ajudar na reforma de quatro das 50 colunas da Basílica da Natividade, local onde teria nascido Jesus, na Palestina.

Trata-se de uma medida que fere o Estado laico, porque o governo não pode subsidiar entidades religiosas, mesmo no exterior.

Gospel Prime não lembrou que o Brasil é um Estado laico, como era de se esperar, mas, sem qualquer prova, divulgou que o dinheiro estava sendo enviado a terroristas palestinos.

O fake news foi reproduzido em redes sociais, principalmente por evangélicos, incluindo o pastor Hidekazu Takayama (PSC-PR), líder da Frente Parlamentar Evangélica, que gravou um vídeo comentando a “grave denúncia”.


A jornalista Helena Borges, da "Época", descobriu que deputados evangélicos usam dinheiro de cota parlamentar para pagar ao Gospel Prime por "textos jornalísticos".

Pelo menos seis notas fiscais provam que os deputados Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) e Geovania de Sá (PSDB-SC) compraram textos elogiosos do Gospel Prime, entre 2015 e 2016, ao preço de R$ 250 cada um.

Um dos textos publicado no período diz que “Sóstenes Cavalcante é o deputado mais atuante do RJ”.

Helena Borges tentou se encontrar com o dono do Gospel Prime, David Gregório, ex-gerente de um posto de gasolina que mora em Criciúma [mapa], cidade de 212 mil habitantes de Santa Catarina.

Ela foi à cidade, mas só conseguiu falar com Gregório por telefone.

Ele edita o Gospel Prime em sua casa, embora o endereço oficial físico do site seja um prédio onde funciona uma empresa de contabilidade.

O site tem cerca de 2,8 milhões de acessos por mês e é monetizado pelo AdSense, do Google.

Gregório disse que obtém renda de R$ 10 mil a R$ 20 mil por mês e que tem quatro colaboradores fixos remunerados e outros que escrevem artigos de graça.

Época mostra como operam outros nove sites de fake news.

O título da reportagem é “Exército de pinóquios”.

Com informação de Época.



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