TRE-RS usa argumento pífio para colocar crucifixo no plenário


Desembargadores
impuseram sua
religião ao Tribunal


Por decisão unânime, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio Grande do Sul instalou nesta semana um crucifixo em seu plenário (foto).

Os desembargadores recorreram a um pretexto pífio: adotaram o símbolo seguindo exemplo do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e STF (Supremo Tribunal Federal).

O presidente do TRE-RS, Carlos Cini Marchionatti, se faz de desentendido, o que não pega bem para um desembargador.


Ele diz que o crucifixo — Jesus pregado na cruz — não é um símbolo religioso, mas cultural.

Não dá nem para rebater tal afirmação, de tão estúpida que é.

Mas, quanto ao argumento de que se trata de uma manifestação cultural, vale lembrar que o Brasil está se tornando um país de evangélicos, que entendem o crucifixo como idolatria.

Nem cultural é.

Certo está o Daniel Sarmento, professor de Direito Constitucional da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Ele diz:

“Nenhum tribunal pode ter um crucifixo. A democracia se conjuga com a laicidade, já que ambos são princípios constitucionais. Quando o Estado adota um símbolo que não é neutro, que não é apenas cultural, é religioso, e que fala a algumas pessoas, mas não ao coração de todas, ele endossa uma posição”.

Prossegue: “No âmbito eleitoral, pode ser que exista algum litígio que envolva políticos com posições de um lado mais próximas ao cristianismo e, de outro lado, outros políticos em defesa de direitos sexuais e reprodutivos ou outras causas que não sejam do gosto de bancadas religiosas. E a cruz pode simbolizar uma preferência por um dos lados.”

A verdade é que todas as instâncias judiciais deveriam seguir a Constituição, que determina que o Estado brasileiro é laico.

Com informação Gauchazh e foto de divulgação.




Liberdade de consciência exige retirada de crucifixo de tribunais

A responsabilidade dos comentários é de seus autores.

Comentários

  1. Se fosse a imagem de divindades esquecidas como Minerva ou Ísis isso até poderia ser interpretado como um folclore inofensivo. Mas no caso estamos falando de um credo que ainda hoje é usado para segregar, humilhar, perseguir, torturar e até matar parcelas imensas da população. Indefensável.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, "cultural" é a imagem da deusa Têmis, não o crucifixo. Na realidade, os crentes abusam do aparato das Ciências Sociais, pois estas mostram a origem cultural e não "revelada" das religiões, e quando o fazem, desmistificam a fé. Quando os religiosos invocam origem "cultural" aos seus símbolos, estão distorcendo a prova de que esses mesmos símbolos nada têm de "sagrados" e a empregando como forma de confundir a opinião dos leigos, que imaginam comumente que tudo o que é "cultural" e "folclórico" é inofensivo e merece ser preservado. Em certos países árabes, a mutilação genital feminina é defendida com o mesmo argumento de que é "cultural" para aquelas populações, o que bem mostra que estamos diante de uma falácia argumentativa em que argumento para não crer nas coisas da religião é deturpado para manter a infiltração da fé religiosa nas estruturas da sociedade.

      Excluir

Postar um comentário