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'Líderes' negros ganham muito dinheiro com a defesa da cota racial

do leitor Raí a propósito de

Caro Paulo,

Seu texto já tem um tempinho mas fico muito feliz sempre que leio textos inteligentes sobre o tema.

Sou radicalmente contra as cotas e estou mais cansado ainda dos cyber-ativistas tiranos que as defendem e infundem uma reação de bullying contra quem diz o contrário. Acho que está mais que provado que o Brasil é contra as cotas.

Toda vez que trato de explicar um sistema de cotas a um estrangeiro - e não precisa ser de muito longe não, argentinos por exemplo, país quebrado! - nem eles entendem. Rapidamente devolvem que é mais segregação, todo mundo com 2 neurônios sabe disso.

Mas nosso país adoooooora tapar o sol com a peneira mesmo. E há uma "classe" de "líderes" negros que tá ganhando muito, mas muito dinheiro dizendo-se os porta-vozes dos negros necessitados.

Faça uma conta matemática. As cotas são uma mentira e explico o motivo: se entre 60 vagas, digamos, 5 serão destinadas, não a negros, mas àqueles que  se declararem negros, e digamos que a maioria da população brasileira tende a pardo/negro/negão, as cotas na verdade restringem o acesso à universidade. Entendeu?

Eu não entendo como ninguém até hoje  percebeu isso! Acredito que quem inventou o sistema realmente teve boa intenção, mas de boa intenção o inferno está cheio. Parece ter se esquecido apenas e nada mais nada menos de algo chamado matemática!

É um absurdo. Ser contra as cotas é ser mais a favor de quem se acha negro e não o contrário, como estes cyber-terroristas e ativistas raciais tentam plantar no Brasil. Negro que, pra mim, o Brasil não tem - negro é africano, é outra cor, outra pele, tudo diferente!

Eu reconheço os negros brasileiros em qualquer lugar, porque eles são bem mais claros, e a maioria dos que se dizem com tais têm estrutura de corpo de branco... tudo mestiço!

julho de 2008

Comentários

Eu reconheço os negros brasileiros em qualquer lugar, porque eles são bem mais claros, e a maioria dos que se dizem com tais têm estrutura de corpo de branco... tudo mestiço!

Todo o seu artigo é muito interessante, mas esta última frase foi o proverbial “chute no balde”. Os negros brasileiros não são reconhecíveis em qulquer lugar porque “são mais claros”. Imagino que você nunca comparou Milton Nascimento com Nelson Mandela, Emílio Santiago com Eddie Murphy, ou algo assim.

Independente da miscigenação que possa ter havido no Brasil, a África já é miscigenada também (sempre foi) e lá não existe somente um padrão de negro. Da África do Sul à Etiópia e da Somália ao Senegal você encontrará vários padrões, refletindo diferentes miscigenações e cargas genéticas originais. O próprio termo “negro” não faz sentido porque a maioria dos “negros” da África setentrional, por exemplo, tem a pele clara (especialmente os khoi e os malgaxes), enquanto muitos “negros” da África Oriental não só têm a pele clara como tem traços fisionômicos herdados dos semitas.

Os nossos negros não vieram todos de um mesmo lugar na África. Os escravos brasileiros vieram principalmente de Angola, mas também da Guiné, da Nigéria e do Congo. Jà no século XIX se sabia isso (clássicas gravuras de Rugendas mostrando diferentes tipos de escravos à venda nas feiras).

Não existe, portanto, uma “estrutura de corpo de branco” em contraste com uma de negro. Seu comentário foi racista (porque aceita implicitamente a existência de raças).

De resto, porém, o que mais você disse é verdade.
Ado disse…
Qualquer pessoa que se dedique a estudar só um pouquinho de História vai ver que esse sistema de cotas é injustificável... Negros vendiam seus "irmãos" para o tráfico de escravos e a primeira coisa que um escravo liberto fazia era comprar também os seus escravos negros... O aclamado Zumbi era, ele mesmo, um senhor de escravos... é absurdo o pensamento de que os negros foram apenas vítimas da escravidão!... agora, pela lógica das cotas, o filho do Pelé tem mais chances de passar em um concurso público do que um branco miserável (pois as cotas não são apenas para vagas em universidades, mas já há muitos concurso em que 15% das vagas - mais que as vagas de deficientes!!! - são reservadas para os que se declaram negros)... há quem defenda vagas mínimas para negros até em peças de teatro!!! cotas em produções teatrais!!! e se eu quiser escrever uma peça onde não haja negros?! não por preconceito, mas digamos que eu escreva uma peça sobre o drama de judeus poloneses na 2ª guerra mundial?! Terei que colocar um negro na peça?!? E se eu colocar um negro como oficial nazista? Vão me dizer que é preconceito, pois o negro já sofreu muito e não seria justo retratá-lo como mau... teria que ser o polonês... meu exemplo pode ser mirabolante, mas não menos que a lógica extremamente racista e depreciativa desse sistema vergonhoso de cotas!!!
Anônimo disse…
Li e reli a coluna inteira. Concordo que não se pode, em nome da liberdade, cercear liberdades. Esse aliás, é o argumento usado malévola e intencionalmente com outros fins, para impedir a aprovação da Lei antihomofobia. Concordo com a observação feita pelo autor do blog, quando diz que o pobre branco é discriminado duplamente, porque eu mesma sofri e sofro isso. Mas nada deve servir de argumento a ser utilizável por uma minoritária elite econômica, que se viu confrontada pelos diferentes, anteriormente excluídos, a partir das cotas, e demais processos de seleção para inclusão; elite que é branca por uma segunda definição, e por primeiríssima, é intelectualizada e sobretudo rica. Não sou totalmente a favor das cotas. E sou contra todo tipo de preconceito, tanto de afirmação quanto de defesa, mesmo o racismo de defesa, venham de brancos, heterossexuais, homossexuais ou de negros. Entretanto, na primeira oportunidade que eu vir um gay ou um negro empoderado assumirem uma postura de prepotência, de arrogância, de revanchismo; eu devo por isso arrepender-me de ter lutado contra a opressão dos gays, contra o racismo odioso que vitima os negros, desistir das minhas convicções, e defender a bandeira contrária? ADMITO QUE O PAUPERISMO É A FONTE DE TODOS OS PRECONCEITOS. E QUE A VERDADEIRA POLÍTICA AFIRMATIVA É A DE CIDADÃO. Entretanto, na sociedade capitalista, cidadania é dinheiro.Como se diz no popular, se o cara é rico ninguém chama ele de crioulo nem de viado, mas de patrão, barão, doutor...Mesmo assim não quero ser contra as cotas. Porque vejo a possibilidade futura, das gerações que nascerão filhos destas pessoas, com toda informação, leitura e literatura disponíveis em casa, por conta das solicitações acadêmicas. E eu mesma sei o poder que tem ser nascida num lar assim. Meu pai é jornalista. Minha mãe professora de francês. Quero esse direito extensivo a todos. Deus me perdoe se eu estiver errada. Mas tenho um (preconceito?) palpite que, uma vez que a cidadania não será conquista da emancipação religiosa, nem política, nem sexual, mas ECONÔMICA; até lá, precisaremos de cotas, de afirmações de segmentos, e sobretudo DE IGUALDADE DE ACESSO À CULTURA, AO CONHECIMENTO, À INFORMAÇÃO, que nos despertarão pelo menos a consciência crítica, quanto à necessidade (ou não!) de nos engajarmos em todas essas formas TEMPORÁRIAS de afirmação, depois revê-las e até ultrapassá-las em direção da universalidade real, concreta (CIDADANIA), até à efetivação de nossa plena emancipação.
black disse…
eu realmente não sei mesmo.. ..
Wagner disse…
O que a matemática do autor não consegue explicar é que quando tiramos as cotas não entra negro nenhum! Isso é fato. Mas ele vem com essa retórica furada.

Outra coisa: cotas se justificam dentro de um contexto de políticas afirmativas, e não política econômica de distribuição de renda.
Política afirmativa serve para mostrar para os próprios cidadãos negros e para a sociedade que o negro está inserido dentro dela, como qualquer outro cidadão. Que o negro também pode ser um advogado ou um médico. Coisa que fica difícil ou até impossível sem as cotas.

Dizer que branco pobre deveria ser beneficiado é partir para política econômica, como eu havia dito antes.

Outra coisa: de onde você tirou que os líderes negros ganham uma fortuna? Nós estamos num blog ateu/cético. É meio difícil a gente acreditar numa afirmação dessas sem as devidas evidências.

Por fim, seus conceitos estão um pouco equivocados. Aconselharia ler mais sobre políticas afirmativas e saber o que realmente está por trás do movimento de cotas. E de preferência, parar de ler panfletos reacionários, pois você já está vociferando que nem seus autores.

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