Chantagem dos religiosos ameaça Estado laico, diz associação de gays

A chantagem da bancada parlamentar religiosa fundamentalista que fez o governo desistir da distribuição às escolas de material anti-homofobia ameaça o Estado laico previsto na Constituição, diz nota da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Para entidade, houve também prejuízo ao “princípio básico do Estado Republicano”.

A presidente Dilma Rousseff vetou ontem o chamado kit gay com o argumento de que se trata de um “material inadequado” para o seu objetivo.

A decisão foi anunciada após os parlamentares religiosos terem ameaçado apoiar a oposição em uma proposta de convocação do ministro Antonio Palocci (Casa Civil) para que explique o rápido aumento de seu patrimônio, após as eleições.

A nota da ABGLT afirmou que o veto ao kit educativo é um “episódio infeliz” porque significa "um retrocesso no combate a um problema --a discriminação e a violência homofóbica-- que macula a imagem do Brasil internacionalmente no que tange ao respeito aos direitos humanos”.

Destacou que a 237 entidades afiliadas à associação receberam a notícia "com perplexidade, consternação e indignação".

"Os mesmos que queimaram os homossexuais, mulheres e crentes de outras religiões na fogueira da Inquisição na Idade Média estão nos ceifando no Brasil da atualidade", afirmou.

A entidade vai pedir um encontro com a presidente Dilma para tentar convencê-la a reconsiderar o seu veto.

maio de 2011