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Evangélica não se inibe em ser camareira de motel


da camareira Cristiana Alves da Conceição (foto), 26
para a revista Época

Cristina Alves da Conceição.
Eu nunca havia ido a um motel. Foi aqui que conheci o que é isso. Sou evangélica, mas não me sinto culpada pelo meu trabalho, [que já dura dois anos]. Os colegas da minha igreja sabem e acham engraçado. O pastor diz que o importante é trabalhar direito, sem prejudicar ninguém. Casal evangélico também frequenta motel. Aqui vêm muitos casais de mais idade. Acho que é para comemorar datas especiais. Funcionário não pode frequentar a casa. Até tenho vontade de ir a um motel fora do horário de trabalho. Mas só depois de casar.

Aos finais de semana tem fila de espera, e a mesma suíte pode ser alugada até três vezes por noite. Levo 12 minutos nas menores e 17 nas maiores. Quando entro, está aquela bagunça. O quarto está abafado e a cama quente. Tem casal que é limpinho. Outros deixam resquícios em cima do criado-mudo, atrás do colchão. Já encontrei preservativo até no teto e na TV de plasma.

Mulheres, em geral, esquecem lingerie e bijuterias. Já deixaram aliança e até passagens aéreas. Homem deixa tênis, relógio, mas é mais difícil. Um casal gay deixou uma pochete cheia de vibradores. Quando avisaram na recepção, eles não quiseram levar. Pediram para jogar fora. Acho que ficaram envergonhados. Tudo que é esquecido aqui fica arquivado por seis meses.

Às vezes, a suíte já está ocupada, e os hóspedes pedem coisas como roupa de cama extra, toalhas, roupão. Daí, quando tenho de entrar no quarto com gente, evito ficar encarando. Não quero constranger ninguém nem me sentir constrangida. Geralmente, as pessoas estão vestidas, mas já aconteceu de entrar e vê-las nuas.

Uma vez, confundi o número da suíte e entrei no quarto bem na hora H. O casal nem ligou. Fiquei constrangida, não consigo me acostumar. Já entrei enquanto o casal dormia, por engano. Quando acendi a luz e vi os dois, dei um grito, o homem também, saí correndo e bati a porta. Do corredor dá para escutar alguns sons. Tem mulher que gosta de fazer escândalo. Numa ocasião, a hóspede gritava tanto que o cozinheiro até perguntou se não era o caso de alguém ir lá interromper. Mas era só graça dela. (Texto final de Eduardo Zanelato)

Grupo evangélico lança camiseta para ex-gay e ex-fornicador.
fevereiro de 2009

Comentários

Rafael B. disse…
Penso ser necessário acabar com a hipocrisia religiosa e mania de perseguição que ainda vemos.
O fato de uma pessoa ser evangélica e trabalhar como camareira em motel, ao meu ver, não é nada de mais.
Ela está ganhando o pão dela!
Antes, trabalhando com dignidade à passar fome para manter aparência para agradar fanáticos que só sabem condenar os outros.

Se a menina estivesse fazendo algo ilícito, caberia até algum comentário de reprovação, mas, não é o caso.
[]´s
Anônimo disse…
Bem bacana esta matéria.
Gostei da sinceridade desta garota.
Onde o que importa mesmo é suar com dignidade para no final do mês receber seu päo de cada dia.
Melhor ser sincera como ela do que ser como muitas "puritanas" evangélicas que vivem com a bíblia debaixo do braço "pregando o evangelho" e por baixo do pano näo passam de falsas moralistas e fazem igualmente às prostitutas. Digo com conhecimento de causa.
Pangéia disse…
E o que é que tem em trabalhar em um motel? É um local igualzinho a um hotel, você pode até dormir a noite inteira lá, se quiser, basta pagar pela noite inteira, oras! A única diferença é a motivação de funcionamento do hotel ser uma, a do motel ser outra, só!
E como alguém já comentou, também desejo meus parabéns pela sinceridade da garota evangélica, melhor ser sincero(a), do que viver para sempre na hipocrisia causada pela cegueira religiosa!
Anônimo disse…
Na verdade a diferença é que motel tem vagas para carros perto do quarto, serviço de cozinha que leva comida no quarto e etc. Os moteis originariamente eram pra quem estava viajando e precisava parar rapidamente pra descansar na estrada, vêm da fusão da palavra "motor" e "hotel" se eu não me engano.

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